Israel emitiu novas ordens de deslocamento forçado para todos os residentes ao sul do rio Zahrani, no sul do Líbano, expandindo sua invasão antes de um possível ataque à cidade de Nabatieh.
O porta-voz militar israelense para o mundo árabe, Avichay Adraee, instruiu os moradores a se deslocarem imediatamente para o norte do rio, sob ameaça de morte para quem permanecesse na área.
Nas últimas 24 horas, Tel Aviv emitiu mais de dez ordens semelhantes, ampliando sua ofensiva contra o Hezbollah. As forças israelenses cruzaram o rio Litani pela primeira vez desde 2006, marcando uma escalada significativa na invasão.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, descreveu a captura do Castelo de Beaufort como uma vitória tática significativa. A fortaleza do século XII, situada em uma colina estratégica perto de Nabatieh, já havia sido ocupada por Israel em 1982 e mantida sob seu controle até a retirada do Líbano 18 anos depois.
Segundo reportagem da Al Jazeera, Israel cerca Nabatieh, a quinta maior cidade libanesa e um centro econômico e cultural vital para a região. Para muitos libaneses, a cidade é símbolo de resistência devido ao seu papel histórico na linha de frente contra as agressões israelenses.
Apesar dos avanços israelenses no sul do Líbano, o Hezbollah continua alvejando as forças invasoras com ataques de drones. Israel confirmou a morte de um soldado em um ataque com drone, elevando para 25 o total de militares israelenses mortos desde a escalada dos combates em março.
A correspondente da Al Jazeera Nida Ibrahim reportou que o governo israelense avalia que o Hezbollah se fortaleceu nos últimos meses. O grupo demonstra maior ousadia, especialmente no uso de drones que têm causado baixas em Israel.
O Hezbollah utiliza drones de fibra óptica, resistentes a interferências eletrônicas e praticamente indetectáveis por radar. Esses drones conseguem penetrar os sistemas de defesa aérea multicamadas de Israel, avaliados em bilhões de dólares.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, denunciou a invasão israelense como uma política de terra arrasada e punição coletiva contra os residentes do sul do país. A mesma prática é aplicada por Israel contra os palestinos em Gaza, onde o bloqueio impõe restrições severas à entrada de ajuda humanitária.
O correspondente da Al Jazeera Obaida Hitto, reportando de Tiro, descreveu a crise humanitária gerada pela invasão. Uma zona que abrange um quinto do território libanês foi criada, onde cidadãos não podem entrar.
Muitas famílias estão impedidas de retornar às suas casas, enquanto tropas israelenses continuam demolindo residências e estabelecimentos comerciais. Israel e Líbano participam de negociações de paz facilitadas pelos Estados Unidos, com representantes de ambos os países reunidos no Pentágono.
As conversas giram em torno do cessar-fogo nominal que entrou em vigor em meados de abril e foi repetidamente violado por Israel. As negociações devem ser retomadas na próxima semana.
Filippo Dionigi, professor de Relações Internacionais da Universidade de Bristol, afirmou que o governo libanês enfrenta uma posição extremamente difícil. Segundo o especialista, Israel não tem um plano político real para o Líbano e persegue apenas uma estratégia militar.
Isso fortalece a narrativa do Hezbollah de que o grupo é o único meio de defesa do país. Ambos os lados afirmam desejar o desarmamento do Hezbollah, mas Beirute encontra dificuldades para cumprir essa tarefa.
O Hezbollah, mais forte que o exército oficial libanês, sustenta que sua capacidade militar é a única defesa efetiva contra a máquina de guerra israelense.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
Leia também: Israel captura Castelo de Beaufort e amplia ofensiva no Líbano
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