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Quênia protesta contra centro de quarentena de Ebola dos EUA em base militar

Manifestantes protestam em Kenia, com fumaça e chamas ao fundo, contra a instalação de um centro de quarentena para Ebola. Manifestantes se reuniram em Nanyuki, no centro do Quênia, para protestar contra a instalação de uma unidade de quarentena de Ebola em uma base militar dos Estados Unidos. A proposta, divulgada por oficiais norte-americanos, visa […]

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Manifestantes protestam em Kenia, com fumaça e chamas ao fundo, contra a instalação de um centro de quarentena para Ebola. (Foto: aljazeera.com)

Manifestantes se reuniram em Nanyuki, no centro do Quênia, para protestar contra a instalação de uma unidade de quarentena de Ebola em uma base militar dos Estados Unidos. A proposta, divulgada por oficiais norte-americanos, visa abrigar cidadãos dos EUA expostos ao vírus, mas ainda assintomáticos.

O plano, detalhado pelo portal Al Jazeera, prevê uma unidade de 50 leitos na base aérea de Laikipia, operada por militares dos EUA. A proposta gerou indignação popular, especialmente após o surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, que já causou mais de 200 mortes, enquanto o Quênia não registrou casos da doença.

Na sexta-feira, a Suprema Corte do Quênia suspendeu o plano após ação judicial que argumentava riscos à saúde pública do país. A decisão também denunciou a falta de transparência no acordo entre os dois governos.

Apesar da ordem judicial, imagens obtidas pela Reuters mostram aeronaves militares dos EUA pousando e decolando de Nanyuki no fim de semana. Os preparativos para a instalação continuaram, segundo as imagens. O governo dos EUA afirmou que destinará 13,5 milhões de dólares para os esforços de preparação do Quênia contra o Ebola, mas poucos detalhes foram divulgados.

O ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, declarou que o centro de quarentena se destina a todos, não apenas a cidadãos norte-americanos. A medida faz parte de um esforço para reforçar os sistemas de resposta a emergências no país. A declaração, porém, não acalmou os manifestantes, que exigem o fechamento definitivo da instalação até 9 de junho.

Patrick Wahome, um dos organizadores dos protestos, afirmou à Reuters que Nanyuki é uma cidade pequena. Os militares da base vivem entre a população local, e seus filhos frequentam as mesmas escolas. Estamos protestando por nossas vidas, disse Wahome, destacando o temor de contaminação rápida na comunidade.

Outro manifestante, Malin Ndegwa, questionou por que os Estados Unidos não constroem a instalação nos países afetados pelo surto. Por que não fazem isso no Congo? Por que não fazem isso em Uganda? Por que trazer para cá?, indagou Ndegwa à Associated Press.

O protesto reuniu cerca de cem pessoas, algumas em caminhonetes e soprando apitos. A mobilização foi marcada por fumaça no horizonte e reforço policial nas estradas de acesso à base aérea. A resistência popular reflete o mal-estar em países do Sul Global contra o que muitos consideram neocolonialismo médico.

A decisão da Suprema Corte queniana e a pressão popular colocam o governo dos EUA em xeque. Com o ultimato dos manifestantes para 9 de junho, o impasse entre a vontade popular, a justiça queniana e a persistência militar norte-americana se intensifica.

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


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