O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu uma queda de 4 pontos percentuais nas intenções de voto após o estouro do escândalo envolvendo o Banco Master, revelando o impacto direto da crise financeira sobre o projeto bolsonarista para 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve vantagem de 7 pontos sobre o parlamentar, em levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado nesta segunda-feira, e aparece com 38% contra 31% do adversário no cenário de primeiro turno.
Os dados confirmam que o chamado ‘céu de brigadeiro’ de Flávio Bolsonaro desabou em menos de dez dias, conforme análise do diretor executivo do instituto, Lucas Thut Sahd, que participou do programa Ponto de Vista e descreveu a curva de desgaste do senador.
Antes do vazamento dos áudios que expuseram a promiscuidade entre o clã Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o filho 01 ostentava 44% de avaliação positiva entre os eleitores de direita.
Agora, com os diálogos escancarados na internet, o índice ruiu para 40%, em uma hemorragia que as pesquisas anteriores não haviam captado porque o episódio ainda não era de conhecimento público.
A crise do Banco Master se tornou o primeiro grande teste de blindagem do bolsonarismo em ambiente pré-eleitoral, e o resultado indica que a armadura judicial e midiática do clã começa a apresentar fissuras diante de fatos documentados.
Os áudios revelaram que Vorcaro, cujo banco operou sob suspeita de irregularidades contábeis e recebeu aportes generosos de fundos de pensão estatais durante administrações aliadas, mantinha relação estreita com o gabinete do senador Flávio Bolsonaro.
A divulgação do material atingiu diretamente a pretensão do parlamentar de se apresentar como herdeiro natural do espólio eleitoral do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje tornado inelegível pela Justiça Eleitoral.
Enquanto o senador patina, a mesma pesquisa apontou o crescimento do empresário e ativista Renan Santos, cofundador do MBL e candidato pelo partido Missão, que atingiu 6% das intenções de voto e empatou com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
O desempenho de Renan Santos, embora ainda modesto, sinaliza que parte do eleitorado de direita busca alternativas fora do cercadinho bolsonarista, fenômeno que o diretor do Real Time Big Data classificou como ‘procura por nomes menos associados aos escândalos’.
Segundo o levantamento, Lula e Flávio Bolsonaro possivelmente atingiram o teto de intenções de voto, abrindo flanco para o surgimento de candidaturas que se posicionem como oposição simultânea ao petismo e ao bolsonarismo.
O movimento foi captado pelo instituto como um sinal de cansaço do eleitorado com a polarização, acentuado pelos escândalos que respingam tanto no governo federal quanto no círculo íntimo da família Bolsonaro.
Renan Santos tem se aproveitado desse vácuo para bater em ambas as frentes, criticando Lula e o legado bolsonarista, em uma estratégia que, segundo Sahd, ‘tem ganhado um pouco de corpo’ e começa a produzir números nas pesquisas.
A presença do ativista como alternativa de ‘terceira via’ na direita pode complicar ainda mais os planos do PL, partido que tenta concentrar em Flávio a herança eleitoral do bolsonarismo raiz.
A pesquisa Real Time Big Data foi reportada pela revista Veja e evidencia que o escândalo do Banco Master está longe de ser uma crise passageira.
Ele se soma a um histórico de episódios que incluem as investigações sobre rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio, o uso de imóveis em dinheiro vivo e a blindagem sistemática que o sobrenome Bolsonaro sempre ofereceu a seus integrantes.
Agora, o desgaste do Banco Master adiciona uma camada de vulnerabilidade financeira e reputacional ao candidato que o PL pretende lançar como alternativa ao lulismo em 2026.
O efeito sobre a campanha pode ser devastador se novos áudios ou documentos surgirem, ampliando a percepção de que o senador atuou como fiador político de um banco sob desconfiança regulatória.
A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades e alega que os contatos com Vorcaro foram institucionais, mas o estrago na imagem pública já está quantificado pela perda de 4 pontos nas pesquisas.
O cenário se complica ainda mais porque a eleição de 2026 será a primeira sem Jair Bolsonaro na cédula, o que obriga o clã a transferir capital político para um nome que agora carrega o fardo do Banco Master.
Enquanto isso, Lula se mantém estável na liderança, mas sem crescimento expressivo, indicando que a rejeição ao petismo segue como teto para suas intenções de voto.
A disputa pelo espólio da direita entre o bolsonarismo tradicional e alternativas como Renan Santos tende a se acirrar nos próximos meses, especialmente se a justiça avançar sobre o núcleo familiar do ex-presidente.
O crescimento de Santos é emblemático porque representa uma candidatura que se apresenta como ‘nem Lula nem Bolsonaro’, mas que na prática busca ocupar o mesmo campo ideológico da direita.
O movimento pode fragmentar o eleitorado conservador e beneficiar Lula em um eventual segundo turno, repetindo o cenário de 2022, quando a pulverização de candidaturas de direita não foi suficiente para derrotar o petista.
A novidade em 2026 é que o bolsonarismo chega enfraquecido, com seu líder maior inelegível e seu herdeiro aparente sangrando nas pesquisas por causa de um escândalo financeiro de grandes proporções.
O Banco Master, que já foi tratado com reverência em eventos da direita e recebeu afagos de parlamentares bolsonaristas, se transformou em um peso eleitoral que o senador Flávio Bolsonaro não consegue mais esconder sob o tapete da retórica.
A sequência de más notícias para o clã sugere que a blindagem montada ao longo de anos está cedendo, e o custo político começa a ser cobrado diretamente nas pesquisas, que funcionam como termômetro implacável da opinião pública.
Com a máquina do PL ainda fiel à família, a aposta do partido deve ser intensificar a narrativa de perseguição para estancar o sangramento, mas os números mostram que a estratégia pode ter efeito limitado.
O eleitorado que busca alternativas está menos permeável ao discurso vitimista e mais atento aos fatos concretos, como os áudios que expuseram a intimidade entre o banco e o gabinete do senador.
A eleição de 2026 já começa a ser desenhada com Lula consolidado na dianteira, Flávio Bolsonaro em queda livre e uma janela de oportunidade para candidaturas que consigam encarnar a renovação sem carregar as maldições do passado recente.
Leia também: Toda a cobertura dos escândalos da família Bolsonaro.
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