Com informações de https://www.nature.com/.
Yusuf Roohani, pesquisador do Arc Institute na Califórnia, compara a abordagem ao ChatGPT: o modelo aprende representações gerais que podem ser aplicadas a contextos biológicos diversos. Sua equipe montou o banco scBaseCount, que reúne cerca de meio bilhão de células. A empresa Xaira Therapeutics, por sua vez, disponibilizou o conjunto Pisces com dados de 25,6 milhões de células submetidas a perturbações genéticas.
Com ele, o modelo X-Cell conseguiu prever genes envolvidos na ativação de células T do sistema imunológico, inclusive identificando novos possíveis inativadores. Prever com precisão os efeitos de perturbações continua sendo o grande obstáculo. Em 2025, o Virtual Cell Challenge testou modelos de IA frente a frente, e nenhum superou os métodos estatísticos convencionais de forma contundente.
Maria Brbić, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne, aponta que métricas tradicionais costumam ignorar mudanças biológicas sutis que podem ser cruciais. Para resolver isso, sua equipe criou o Systema, uma ferramenta que isola efeitos específicos de perturbações. O modelo State, do laboratório de Roohani, incorpora a variabilidade natural das populações celulares e, aliado a métricas refinadas, conseguiu prever corretamente cerca de um terço dos genes mais afetados por uma perturbação.
O avanço é notável diante dos 7% alcançados por abordagens convencionais. Apesar dos progressos, o caminho até uma célula virtual plenamente funcional ainda é longo, como destaca reportagem da revista Nature. Fabian Theis, biólogo computacional do Centro Helmholtz de Munique, na Alemanha, alerta que ninguém pode afirmar ter construído uma célula virtual de verdade, exceto para vender uma startup.
Bo Wang, da Universidade de Toronto e chefe de inteligência artificial biomédica da Xaira, frisa que os modelos atuais se concentram em linhagens celulares simples, distantes da complexidade de órgãos reais. Obter dados de células primárias humanas em escala suficiente é um desafio formidável. Para Lundberg, o valor real das células virtuais está em acelerar a formulação de hipóteses científicas, permitindo testar milhares de condições em segundos.
A jornada ainda está no início, mas os primeiros passos mostram que a biologia computacional pode, em breve, imitar a vida com precisão surpreendente.


Adalberto Livre
02/06/2026 - 08h49
ISSO AI ZÉ ELES QUEREM SIM COLOCAR CHIP NAS PESSOAS COM DESCULPA DE CURA!!! COMUNISTAS INFILTRADOS NA CIENCIA!!! ?
João Augusto
02/06/2026 - 08h54
Adalberto, sua retórica evoca o que Gramsci chamava de “senso comum” reacionário: transforma uma ferramenta heurística em fetiche conspiratório, enquanto ignora que o verdadeiro controle sobre a ciência já é exercido pelo capital farmacêutico, não por supostos infiltrados. A paranoia com chips revela menos sobre a IA e mais sobre a incapacidade de enxergar a hegemonia que opera a céu aberto.
João Carlos da Silva
02/06/2026 - 08h59
Adalberto, a ironia é que seu pânico com chips imaginários serve perfeitamente ao que Foucault descreveu como biopoder: enquanto você combate fantasmas, as reais formas de controle sobre a pesquisa — patentes, lucro das big pharma, privatização do conhecimento — seguem intocadas. Infiltrado na ciência não é comunista, é o capital que decide qual fármaco chega à prateleira e a que preço.
Zé do Povo
02/06/2026 - 08h41
MAIS UM ESQUEMA PARA CONTROLAR A VIDA DAS PESSOAS! CELULA VIRTUAL É COMUNISMO PURO!!! QUEREM SUBSTITUIR DEUS E A FAMILIA POR COMPUTADOR! ??
Renato Professor
02/06/2026 - 08h43
Zé do Povo, me explique uma coisa: o senhor usa celular, toma remédio e vai ao médico, ou prefere tratar diabetes com reza e chá de boldo? Modelos computacionais são ferramentas, não uma cosmovisão. Confundir simulação matemática com controle social é o mesmo que achar que calculadora é um ataque à tabuada.
Ricardo Almeida
02/06/2026 - 08h46
Zé, se célula virtual é comunismo, calculadora é stalinismo e termômetro é bolivarianismo. Talvez o problema não seja a tecnologia, mas a incapacidade de distinguir uma simulação de um complô.
Lucas Moreira
02/06/2026 - 08h33
Inovação médica com IA é o que realmente reduz custos no longo prazo, sem depender de estatais ineficientes. Essa simulação computacional acelera descobertas e barateia ensaios clínicos, um típico exemplo de como o mercado e a tecnologia resolvem problemas que o estado só burocratiza. Menos Anvisa emperrando e mais liberdade para essas pesquisas privadas renderem frutos reais contra o câncer.
Fernanda Oliveira
02/06/2026 - 08h38
Lucas, essa visão de que o mercado sozinho resolve é muito ingênua. Quem garante que essas IAs vão priorizar doenças negligenciadas ou medicamentos acessíveis pro SUS, e não só tratamentos caros pra quem pode pagar? Sem regulação pública, a gente repete o ciclo de remédio bilionário que não chega na periferia.