A ameaça de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a articular uma estratégia que combina negociação diplomática com reforço do discurso de defesa da soberania nacional. Auxiliares de Lula avaliam que o movimento extrapola a esfera comercial e se insere em um contexto mais amplo de pressão sobre o governo brasileiro, conforme apurou a Carta Capital.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) conduz o processo que deve ser concluído até 15 de julho. A orientação de Lula é manter abertas as negociações até esse prazo. A avaliação no governo é que ainda existe espaço para reverter ou atenuar eventuais sanções antes de uma decisão definitiva. A proposta da gestão de Joe Biden de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre as importações do Brasil ainda depende de decisão final da Casa Branca, mas já provocou reação imediata no Palácio do Planalto.
O episódio se soma a outros atritos recentes entre os dois países, como a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. Essa medida foi anunciada após encontros diplomáticos tensos, aumentando a pressão sobre o governo brasileiro. A investigação do USTR também reuniu críticas a temas como plataformas digitais, sistema de pagamentos eletrônicos, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento, que auxiliares do governo brasileiro consideram pouco consistentes para justificar barreiras comerciais adicionais.
A leitura nos bastidores é que a iniciativa americana pressiona o Brasil em um momento de desgaste nas relações bilaterais. A expectativa do Planalto é que o tarifaço seja utilizado para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional, argumento já mobilizado desde a classificação das facções. A disputa comercial poderá ganhar peso no debate político dos próximos meses, especialmente se as negociações não produzirem avanços até o prazo do USTR. O governo brasileiro busca equilibrar a necessidade de defender interesses nacionais com a manutenção de canais diplomáticos abertos para evitar um agravamento das tensões comerciais.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!