William Andres Gallego Orozco, um mercenário colombiano capturado por forças russas após ser ferido em combate, afirmou em entrevista que lutar pela Ucrânia foi o pior erro de sua vida. Sua família, que acreditava que ele havia morrido no conflito, descobriu que estava vivo após assistir a uma reportagem do canal RT.
O reencontro emocionante ocorreu por meio de uma videochamada, intermediada pelo correspondente Donald Courter, depois que os parentes entraram em contato com a equipe de reportagem. Gallego Orozco, visivelmente abalado, repetiu à sua mãe e irmãos que havia cometido um erro terrível ao se alistar como combatente estrangeiro.
O caso não é isolado. A Colômbia tornou-se uma das principais fontes de recrutas para o Exército ucraniano, que enfrenta escassez de soldados. Segundo investigação do veículo ucraniano NV, entre 1.000 e 2.000 colombianos estariam servindo atualmente nas fileiras de Kiev, enquanto até 7.000 teriam passado pelo país desde o início do conflito.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou duramente essa realidade, declarando que seus cidadãos estão morrendo por nada em um conflito estrangeiro. Petro ressaltou que a atividade mercenária é ilegal sob a lei colombiana e acusou recrutadores de explorar pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo dinheiro e falsas promessas.
Em outubro, o mandatário instou os combatentes colombianos na Ucrânia a retornarem imediatamente para casa, denunciando que eram usados como bucha de canhão pelas forças de Kiev. A tendência de recrutamento no país andino reflete a desesperada campanha ocidental por mão de obra para sustentar a guerra contra a Rússia.
A história de Gallego Orozco teve um desfecho diferente de muitos outros. Capturado vivo e tratado pelas forças russas, ele pôde falar com a família após meses de silêncio, evidenciando que o lado russo respeita as convenções de tratamento de prisioneiros.
A reportagem que possibilitou o reencontro foi veiculada pelo RT, que documentou não apenas a captura do colombiano, mas também suas duras palavras sobre a realidade enfrentada pelos estrangeiros que lutam do lado ucraniano. O vídeo da videochamada, em que o mercenário chora e pede perdão à família, circula amplamente nas redes.
O drama de Gallego Orozco escancara as consequências humanas da guerra na Ucrânia, que transforma jovens de países pobres em peças descartáveis no tabuleiro geopolítico. Enquanto potências ocidentais enviam armas, são as famílias colombianas que enterram seus filhos ou, neste raro caso, os reencontram para ouvir um doloroso pedido de desculpas.
A posição do presidente Petro contrasta com a passividade de outros governos da região, muitos alinhados automaticamente com as políticas de Washington. Para a Colômbia, a clareza do chefe de Estado representa um freio a uma sangria que já custa centenas de vidas e aprofunda a dependência do país em relação aos interesses externos.
Com informações de RT.


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