O Google iniciou a distribuição de um novo recurso de segurança no Android que realiza validação digital em tempo real para confirmar se uma chamada telefônica realmente parte do aparelho do contato exibido na tela. A ferramenta bloqueia tentativas de fraude com vozes sintéticas e está incorporada ao discador nativo do sistema. O mecanismo será liberado para todos os celulares com Android 12 ou superior e utiliza o protocolo RCS para enviar um sinal silencioso de confirmação entre os dispositivos durante a chamada.
Quando a verificação falha, um alerta pop-up informa o usuário sobre possível tentativa de golpe e remove imediatamente a foto do contato da tela. Segundo demonstração exclusiva obtida pelo portal Wired, a tecnologia foi projetada para combater ataques que combinam falsificação de número de telefone com imitação de voz gerada por inteligência artificial, capazes de reproduzir em tempo real a fala de familiares ou conhecidos da vítima.
Dave Kleidermacher, vice-presidente de segurança e privacidade do Android, afirmou que a empresa optou por uma solução de alta confiabilidade, evitando depender apenas de ferramentas de IA para detectar vozes clonadas. Segundo o executivo, essa abordagem geraria falsos positivos e alimentaria uma corrida armamentista entre criminosos e sistemas de defesa. Eugene Liderman, diretor de segurança e privacidade do Android, reforçou que o recurso funciona quando ambos os usuários estão em contatos mútuos e utilizam o discador do Google com a funcionalidade ativada.
Após sinalizar uma chamada fraudulenta, o registro no histórico do celular passa a exibir “Chamador desconhecido” em vez do nome do contato. O Google construiu a tecnologia sobre o padrão RCS para ampliar a interoperabilidade com diferentes plataformas, incluindo potencialmente o iOS. A Apple não se manifestou sobre planos de adotar mecanismo semelhante em seus aparelhos.
Kleidermacher destacou que o dano individual desses golpes pode ser devastador, com vítimas perdendo grandes quantias em situações de alto estresse psicológico. A empresa espera que a verificação baseada em hardware ajude a desmontar um tipo de crime que explora a confiança depositada em vozes familiares.


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