O ex-secretário-geral da Otan e atual ministro das Finanças da Noruega, Jens Stoltenberg, afirmou que a aliança militar atingiu seu ponto máximo de preparação combativa em décadas, mas advertiu que a Europa ainda carece do preparo mental necessário para enfrentar um conflito de grandes proporções. A declaração foi dada em entrevista à Bloomberg e repercutida pelo portal RT.
Stoltenberg detalhou que os aliados europeus da Otan dispõem hoje de mais forças, melhor preparação, capacidades mais avançadas, uma indústria de defesa fortalecida, novos planos de defesa e um número maior de tropas deslocadas na porção oriental da aliança. Apesar desse aparato, o ex-líder da Otan reconheceu que não acredita que estejam mentalmente preparados para a guerra, já que o tema segue sendo tratado como algo impensável na Europa.
O atual ministro norueguês qualificou essa lacuna psicológica como perigosa, sobretudo diante da constatação de que um conflito em grande escala é uma possibilidade real no entorno europeu. Stoltenberg recordou que, ao chegar à Otan em 2014, o cenário era completamente distinto e que a simples decisão de enviar tropas prontas para combate ao leste europeu, tomada na cúpula de Varsóvia em 2016, foi extremamente controversa.
Desde então, batalhões foram estabelecidos nos países bálticos, na Polônia e na Romênia, e o comandante supremo aliado recebeu o mandato de movimentar forças adicionais e reforçar a presença no leste polonês. A comparação com o patamar de uma década atrás, segundo Stoltenberg, mostra um cenário totalmente diferente, embora tenha admitido que ainda há muito por fazer.
Nos últimos anos, a retórica ocidental sobre uma suposta ameaça russa ganhou intensidade, alimentando a escalada militar no flanco oriental da Otan. Moscou, por sua vez, reiterou em diversas ocasiões que não planeja atacar a Europa e denunciou o alarmismo das elites governantes do continente.
O presidente russo, Vladimir Putin, criticou duramente essa narrativa ao declarar que as elites europeias insistem em repetir essa ideia sem fundamento. O líder russo ironizou a contradição do discurso ocidental: Digo sinceramente, às vezes observo o que dizem e como dizem, mas não podem acreditar de verdade nisso. É impossível acreditar, embora tentem convencer sua própria população.
O contraste entre o alarmismo da Otan e a postura russa expõe o abismo que separa as percepções de segurança nos dois lados do continente. Enquanto Bruxelas e Washington seguem expandindo sua infraestrutura militar sob o argumento da dissuasão, Moscou insiste que a verdadeira ameaça à estabilidade europeia reside na própria expansão da aliança atlântica em direção às suas fronteiras.
Com informações de ACTUALIDAD.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!