A China realizou o primeiro lançamento do foguete Long March 12B a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no Deserto de Gobi, sem aviso prévio às autoridades de tráfego aéreo. O veículo parcialmente reutilizável, de nova geração, foi projetado para missões em órbita baixa da Terra e decolou na segunda-feira.
O procedimento rompeu com os protocolos habituais de segurança, que normalmente incluem a emissão de alertas de fechamento do espaço aéreo e marítimo durante lançamentos espaciais. A operação sigilosa foi confirmada após o sucesso da missão pela Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC).
O Long March 12B transportava dois satélites da constelação de internet Qianfan, cujo nome significa Mil Velas em mandarim. O projeto chinês visa criar uma rede de conectividade global, competindo diretamente com a Starlink, da empresa americana SpaceX, no mercado de internet via satélite.
a CASC confirmou que as cargas úteis atingiram a órbita terrestre baixa com sucesso na missão inaugural. O foguete possui dois estágios, aproximadamente 70 metros de altura e um primeiro estágio equipado com nove motores que utilizam querosene e oxigênio líquido como propelentes.
Embora o lançamento represente um avanço significativo, não houve tentativa de pouso do primeiro estágio nesta missão. A CASC informou que a etapa de reutilização será testada em voo futuro.
O programa chinês de reaproveitamento de foguetes também inclui o Long March 12A, que tentou um pouso em dezembro do ano passado. A China intensifica testes com veículos parcialmente reutilizáveis como parte de sua estratégia para reduzir custos de acesso ao espaço.
No setor privado, empresas como Landspace e Space Pioneer realizam testes com foguetes parcialmente reutilizáveis, ampliando a capacidade nacional. Outros projetos em desenvolvimento incluem o Kinetica-2 da CAS Space, o Pallas-1 da Galactic Energy e o Nebula 1 da Deep Blue Aerospace, todos voltados para acesso reutilizável ao espaço.
Esses projetos demonstram a determinação chinesa de construir capacidades próprias de lançamento para competir com players internacionais. A abordagem combina investimento estatal robusto com o dinamismo de empresas privadas apoiadas pelo governo central.
A constelação Qianfan é peça central da estratégia de Pequim para garantir soberania em telecomunicações espaciais. O projeto prevê o lançamento de milhares de satélites nos próximos anos, criando infraestrutura de conectividade independente de sistemas dominados por corporações ocidentais.
A ausência de aviso prévio para o lançamento do Long March 12B sinaliza confiança operacional por parte de Pequim. O procedimento indica que a China domina a tecnologia de lançamento e não depende de janelas extensas de coordenação com o tráfego aéreo internacional.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!