O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou por unanimidade os recursos apresentados pela defesa do ex-governador do Rio de janeiro, Cláudio Castro (PL), mantendo sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico. A decisão consolida o entendimento da Corte sobre a gravidade do esquema de contratações irregulares de cabos eleitorais que marcou a gestão do político fluminense.
Os ministros acolheram parcialmente os embargos de declaração, corrigindo apenas a fundamentação jurídica da multa aplicada. A correção, no entanto, não alterou a substância da condenação, que torna Castro inelegível pelos próximos anos.
Conforme reportagem da Carta Capital, o ex-governador foi condenado por comandar um esquema que utilizou o Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de janeiro (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de janeiro (Uerj) para contratar dezenas de milhares de pessoas de forma irregular. As contratações funcionaram como cabos eleitorais disfarçados durante o período eleitoral.
O julgamento também tratou de um recurso do Ministério Público Eleitoral, que pedia a cassação formal dos diplomas de Castro e do ex-vice-governador Thiago Pampolha. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, argumentou que a renúncia dos dois políticos um dia antes do julgamento não poderia impedir a cassação dos diplomas.
Apesar de três ministros terem votado a favor da cassação dos diplomas e dois considerarem a questão prejudicada apenas quanto à perda do mandato, o TSE decidiu por maioria negar o pedido. A renúncia, portanto, preservou os diplomas, mas não livrou Castro da inelegibilidade.
A decisão do TSE representa um marco no combate ao uso da máquina pública para fins eleitorais no estado do Rio de janeiro. O esquema envolvendo o Ceperj e a Uerj expôs a fragilidade dos mecanismos de controle sobre contratações temporárias em períodos eleitorais e reforçou a necessidade de maior transparência na administração pública fluminense.


Zé Trovãozinho
03/06/2026 - 02h28
Unanimidade de um tribunal que já virou extensão do STF, pra variar. Cadê a mesma pressa pra julgar corrupção no PT? Isso aqui tá virando uma Venezuela com toga.
Marcos Andrade Niterói
03/06/2026 - 02h31
Zé, o problema é que o tribunal juntou provas, não bandeira partidária. Se o Castro tivesse governado com a competência do Rodrigo Neves em Niterói — que fez túnel, metrô e ainda sobra dinheiro — talvez não estivesse inelegível por unanimidade. Venezuela com toga é o que o Estado do RJ vira quando entregam a máquina pra quem só pensa em cabide de emprego.
Carlos Rocha
03/06/2026 - 02h14
Mais um político que tratou o dinheiro do contribuinte como se fosse cabide de emprego. Enquanto isso, o cidadão comum paga impostos absurdos para financiar essa farra. Se tivesse gestão privada e responsabilidade fiscal de verdade, esse tipo de esquema nem existiria. O mercado já tinha dado o recado — agora a justiça confirmou.
Cláudio Ribeiro
03/06/2026 - 02h19
A fetichização da “gestão privada” como panaceia ignora que o capitalismo financeiro opera justamente pela captura do Estado, Carlos. O problema não é ausência de mercado, mas a ausência de controle social efetivo sobre um sistema que privatiza lucros e socializa prejuízos.
Márcio Torres
03/06/2026 - 02h24
Carlos, acho curioso como o “mercado” vira um deus ex machina sempre que um político é pego com a mão na massa. A ideia de que a gestão privada, por si só, eliminaria esquemas de cabide de emprego é uma daquelas narrativas que não sobrevivem cinco minutos de escrutínio empírico. Basta lembrar que a Enron, a Toshiba, a Volkswagen e dezenas de outras corporações de ponta operaram fraudes contábeis e desvios milionários justamente sob o regime de “responsabilidade fiscal” e “governança privada” que você exalta. O que diferencia o caso do Castro não é o setor — público ou privado —, mas a ausência de mecanismos reais de auditoria independente e repercussão jurídica. No setor privado, a “farra” costuma ser abafada por acordos internos, multas que cabem no orçamento de marketing e executivos que saem com golden parachutes.
Você diz que o “mercado já tinha dado o recado”. Que recado, exatamente? O mercado, como entidade abstrata, não dá recado nenhum — quem dá são agentes com interesses específicos. No caso da política, o recado do mercado muitas vezes é: “continue desviando, desde que entregue as concessões e isenções que queremos”. Vide a Lava Jato: as mesmas empreiteiras que financiavam o superfaturamento público eram aplaudidas em Wall Street até o escândalo estourar. A justiça confirmar a inelegibilidade de Castro não é um triunfo do “mercado”, mas sim do Estado Democrático de Direito, que você parece desprezar quando ele age contra seus ídolos de eficiência.
Sejamos honestos: o fetiche pela gestão privada ignora que o capitalismo financeiro contemporâneo não tem a menor vergonha de socializar prejuízos e privatizar lucros. O dinheiro do contribuinte que financia a farra de Castro também financia os balões de resgate de bancos “grandes demais para quebrar”. Falar em “responsabilidade fiscal de verdade” enquanto vivemos num sistema onde a dívida pública é monetizada para salvar rentistas é, no mínimo, uma ironia digna de nota. A decisão do TSE é um raro momento em que um tribunal usa a lógica — mesmo que tardia — contra a captura do Estado. Não precisamos de mais “mercado” para evitar corrupção; precisamos de mais controle social, transparência real e punição efetiva, tanto no público quanto no privado.