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Flávio Bolsonaro explode contra colunista do Estadão e expõe blindagem de Mendonça no Caso Master

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a compostura nas redes sociais neste domingo (21) e protagonizou um bate-boca público com a jornalista Eliane Can…

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Ilustração editorial sobre Flávio Bolsonaro larga Senado em dia útil para ver Neymar nos EUA com ingresso suspeito. (Ilustraç
Ilustração editorial sobre Flávio Bolsonaro larga Senado em dia útil para ver Neymar nos EUA com ingresso suspeito. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a compostura nas redes sociais neste domingo (21) e protagonizou um bate-boca público com a jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S.Paulo, após a publicação de um artigo que expôs as contradições do parlamentar no escândalo do Banco Master. Acuado pelo acúmulo de denúncias, o senador desviou das perguntas sobre sua situação judicial e partiu para a desqualificação pessoal da jornalista, em um episódio que a Revista Fórum classificou como explosão de nervos diante do cerco que se fecha.

O estopim foi a insistência de Cantanhêde em cobrar explicações sobre um ponto nevrálgico: por que Flávio Bolsonaro segue sem qualquer medida cautelar determinada pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, enquanto outros políticos mencionados na mesma investigação — como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI) — já foram alvo de operações policiais. A seletividade na aplicação da lei gerou mal-estar nos bastidores do Judiciário e é apontada como um constrangimento institucional crescente para a Corte.

Sem conseguir rebater o mérito da pergunta, o senador tentou equiparar uma transação comercial legítima — a venda de um imóvel pela jornalista — aos repasses milionários e secretos operados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por um sofisticado esquema de fraudes financeiras. A manobra retórica não apenas falhou em explicar o surgimento do patrimônio milionário do parlamentar, como reforçou a ausência de argumentos técnicos para sua defesa.

O episódio não é um desabafo fortuito. Ele reedita o roteiro de intimidação à imprensa que se tornou marca registrada da família Bolsonaro desde que as primeiras investigações sobre rachadinhas vieram à tona, ainda no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. À época, o caso levou à quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador e revelou movimentações financeiras atípicas incompatíveis com sua renda declarada, mas acabou arquivado em circunstâncias controversas.

A agressão verbal funciona como substituto do argumento quando o patrimônio milionário e a origem dos recursos se tornam difíceis de explicar. O modus operandi é conhecido: diante de questionamentos incômodos, a família reage com hostilidade, tentando constranger o profissional de imprensa e desviar o foco da investigação. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) registra que políticos lideram consistentemente o ranking de agressores a profissionais de imprensa no Brasil, e que o assédio judicial é uma tática em franca ascensão.

O grau de blindagem que Flávio Bolsonaro desfruta no gabinete de André Mendonça se tornou insustentável diante de um conjunto probatório robusto. O ministro resiste a autorizar mandados de busca e apreensão ou a instaurar inquérito formal contra o senador, mesmo após sucessivas contradições públicas do parlamentar e indícios de lavagem de dinheiro apontados em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Enquanto isso, o Banco Master e Daniel Vorcaro amargam uma deterioração acelerada de imagem e de negócios.

A pressão sobre Mendonça não vem apenas de fora do tribunal. Ministros da Corte avaliam reservadamente que a omissão do relator constrange a instituição e alimenta a percepção de que há dois pesos e duas medidas no STF — um tratamento rigoroso para adversários políticos e uma leniência constrangedora com aliados. O risco, apontam interlocutores do Judiciário, é que a demora em agir transforme a blindagem em cumplicidade por omissão.

A deterioração da confiança pública na imprensa, paradoxalmente, não favorece políticos que atacam jornalistas. De acordo com o Digital News Report 2025 do Reuters Institute, a credibilidade do jornalismo brasileiro caiu para 42%, patamar mais baixo em uma década, contra 62% registrados em 2015. A hostilidade pública de um senador da República contra uma colunista contribui para esse ambiente de descrédito, mas também escancara o desespero de quem não consegue sustentar sua versão diante dos fatos.

Em resposta à escalada de violência contra profissionais da imprensa, o governo federal instituiu, em abril de 2026, um protocolo para investigar crimes contra jornalistas. O documento reconhece que ataques dessa natureza não são crimes comuns, mas violações à liberdade de expressão e ao direito da sociedade de ser informada — exatamente o bem jurídico que se degrada quando um parlamentar usa seu mandato para intimidar repórteres.

O bate-boca com Eliane Cantanhêde revela um senador que ficou sem álibi, encurralado entre o silêncio do relator e o volume de provas que se avoluma. Enquanto André Mendonça não se manifestar sobre as medidas cautelares, a agressão continuará sendo a única resposta pública de Flávio Bolsonaro — e o preço institucional dessa paralisia seguirá sendo pago pela credibilidade do Supremo.

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