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Nova pesquisa Ipsos-Ipec mostra queda na rejeição de Lula

A mais recente pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada nesta semana, traz um alívio estratégico para o Palácio do Planalto ao mesmo tempo em que acende um alerta de…

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22.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia Nacional de Premiação da 20ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), no Centro de Convenções do Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca. Rio de Janeiro - RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR

A mais recente pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada nesta semana, traz um alívio estratégico para o Palácio do Planalto ao mesmo tempo em que acende um alerta decisivo para o campo político: a rejeição pura e simples ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está se diluindo, mas o eleitor que emerge desse movimento não vai diretamente para a aprovação, e sim para uma zona cinzenta de indecisão. O levantamento, que ouviu 2 mil eleitores em 130 municípios entre os dias 13 e 17 de junho, mostra a avaliação negativa da gestão recuando de 40% em março para os atuais 38%. A migração desse contingente, no entanto, não foi para a avaliação positiva, que se manteve estatisticamente estável, mas para a faixa dos que consideram o governo ‘regular’, um segmento que se consolida como o principal terreno de disputa para as eleições de 2026.

Os dados, analisados com exclusividade pela Revista Fórum, apontam para uma profunda reconfiguração do tabuleiro eleitoral, onde o voto de protesto cede espaço a um pragmatismo difuso, mas ainda não convertido em apoio. A chamada ‘avaliação regular’ funciona como um abrigo temporário para eleitores cujo descontentamento extremo diminuiu, mas que permanecem céticos quanto à efetividade do governo em melhorar suas vidas. Para o presidente Lula, que busca a reeleição, essa é a boa e a má notícia ao mesmo tempo: a aversão frontal cedeu, mas a confiança para um novo voto de aprovação ainda não foi construída.

Este eleitor ‘regular’ — que representa cerca de 28% do eleitorado segundo o instituto — é particularmente sensível a um indicador que vai além dos grandes números da macroeconomia: o custo de vida. Embora a inflação oficial esteja próxima do teto da meta e os índices de desemprego tenham cedido, a percepção de ‘apertamento’ no orçamento doméstico é avassaladora. Pesquisas recentes indicam que 70,4% da população percebe um aumento no custo de vida. Mais grave: 40% dos eleitores afirmam estar mais endividados do que no ano anterior, com o endividamento familiar atingindo um pico histórico em março deste ano.

O fenômeno do empobrecimento da percepção de consumo cria um eleitor volátil e de difícil fidelização. Ele não está mais convencido de que a situação está ‘péssima’, como poderia afirmar no auge da crise econômica, mas sente na prática que seu poder de compra continua sob pressão toda vez que vai ao supermercado. Em vez de tratar itens isolados como se explicassem sozinhos o quadro geral, o dado mais recente do IPCA deve ser lido pelo conjunto: em maio, a alimentação no domicílio subiu 1,65% no mês, acima do índice geral, e alimentos básicos como batata-inglesa, tomate e cebola voltaram a pesar no orçamento. Essa combinação entre índice agregado e choque em produtos muito visíveis transforma a economia de gestão em economia de experiência pessoal, minando a aprovação entusiástica que o governo precisa para se reeleger.

A complexidade do cenário atual é amplificada pela fragilidade da base governista no Congresso Nacional. A conversão dessa faixa de indecisos em apoio político não depende apenas de melhoras econômicas abstratas, mas da capacidade real do Palácio do Planalto em entregar um pacote legislativo que produza impacto social direto, rápido e perceptível. A anomalia institucional é evidente: o governo Lula enfrenta a menor taxa de aprovação de propostas de iniciativa exclusiva da Presidência desde a redemocratização, com apenas 28% das matérias aprovadas entre 2023 e 2025. Para piorar, uma percepção majoritária de 70% da população, medida pelo Datafolha em maio, vê a relação entre Planalto e Legislativo como sendo de confronto, não de cooperação.

Esta equação política força uma redefinição de rota. Sem um eleitor apaixonado ou ideologicamente mobilizado, e com um ‘centro-indeciso’ em forte expansão, a chave para a reeleição não está em discursos polarizadores, mas na aprovação de medidas que gerem benefícios palpáveis: novos programas robustos de transferência de renda, grandes projetos de infraestrutura com geração massiva de empregos formais e políticas de incentivo que aqueçam a economia popular. A grande aposta do governo terá que ser, necessariamente, uma política de resultados materiais e uma negociação muito mais pragmática e ampla com as forças do Congresso, sob o risco de ver a agenda legislativa continuar desidratada.

A autonomia conquistada pelo Legislativo nos últimos anos, que avançou sobre o orçamento e a definição de pautas, coloca Lula diante do dilema de ampliar a coalizão para destravar a ‘entrega’ que o eleitor regular tanto exige. A falha em converter esse segmento não apenas comprometerá o projeto de reeleição, como também pode fragilizar ainda mais a autoridade do Executivo frente a um Congresso empoderado. A geografia do voto que se desenha é clara: o eleitor não está indeciso entre ‘esquerda’ e ‘direita’ no campo abstrato, mas entre a frustração com o presente e uma esperança difusa de que as coisas possam funcionar de forma melhor e mais justa.

A dinâmica atual expõe uma mutação sociológica do eleitorado. Nos extratos de renda mais baixa, historicamente a fortaleza do lulismo, a percepção de que a situação econômica piorou é mais aguda. Mesmo com setores específicos esboçando uma melhora na formalização do trabalho, a realidade do orçamento familiar comprometido por dívidas básicas e pela comida cara transforma a ida às compras do mês em um pesadelo constante. É nesse microcosmo — na fila do açougue e na gôndola do supermercado — que a eleição de 2026 começará a ser decidida, muito antes do início da campanha oficial.

Para o campo progressista, a leitura estratégica que emerge da pesquisa Ipsos-Ipec é de que a disputa não se dará sobre a rejeição ao bolsonarismo, mas sobre a capacidade de transformar a trégua do eleitor em um contrato de confiança renovada. A baixa da rejeição não é uma vitória: é uma janela de oportunidade que exige do governo uma transição urgente da retórica de defesa institucional para a execução agressiva de uma política de bem-estar econômico popular. O tempo entre a ‘avaliação regular’ e a ‘aprovação convicta’ é medido em meses, e a moeda de troca será, cada vez mais, a dignidade material do povo brasileiro.

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Comentários

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Pedro Almeida

23/06/2026 - 18h02

A queda da rejeição não deve ser celebrada como vitória definitiva, mas lida como um termômetro da correlação de forças. Gramsci nos lembra que a hegemonia se reconquista no cotidiano das lutas, e essa oscilação na pesquisa Ipsos-Ipec reflete menos um entusiasmo popular e mais o cansaço com o antipetismo raivoso que dominou o debate público nos últimos anos. O verdadeiro teste será traduzir esse alívio tático em políticas concretas que enfrentem a carestia e a desigualdade estrutural.

Cezar

23/06/2026 - 16h11

Regular é a melhor definição para esse governo que é sim, meia-boca. Ser melhor que um Bolsonaro (e é) não deveria ser modelo para ninguém.

Cristina Rocha

23/06/2026 - 02h27

Eis que a mídia corporativa, sempre tão ávida por decretar o fim da popularidade de Lula, se vê obrigada a engolir mais uma pesquisa que desmente suas narrativas apocalípticas. A queda na rejeição, apontada pelo Ipsos-Ipec, não é um mero dado estatístico; é a demonstração empírica de que o campo progressista ainda sustenta uma hegemonia cultural nas classes trabalhadoras, apesar dos constantes golpes midiáticos e da ofensiva do capital financeiro. Gramsci nos ensinou que a batalha das ideias se vence na trincheira do senso comum, e Lula, com sua habilidade de falar a linguagem do povo, continua a desmontar os discursos de ódio que tentaram criminalizar a política.

Do ponto de vista materialista dialético, essa recuperação na imagem do presidente reflete também os efeitos concretos de políticas como o aumento real do salário mínimo, a retomada do Bolsa Família e os investimentos em infraestrutura que geram empregos. Não se trata de carisma personalista, mas de um projeto de nação que, mesmo dentro dos limites da democracia burguesa, consegue distribuir um pouco mais de renda e dignidade. É claro que o patriarcado e o racismo estrutural ainda operam como vetores de rejeição entre setores conservadores, mas a pesquisa mostra que esses discursos perdem força quando confrontados com a melhora nas condições materiais de vida.

A queda na rejeição também precisa ser lida à luz das teorias pós-coloniais. Lula simboliza, para a periferia global, a possibilidade de um líder que vem do Nordeste, que é nordestino, que fala em nome dos excluídos. A mídia hegemônica tenta constantemente associá-lo à corrupção e ao caos, mas a realidade nua e crua das pesquisas indica que o povo brasileiro não é idiota: ele sabe diferenciar um governo que pensa nos pobres de um que pensa nos bancos. A rejeição cai justamente porque a população percebe que, apesar de todos os limites, Lula enfrenta a fome, a desigualdade e a negligência do Estado.

Claro, não podemos cair em triunfalismo. A luta é longa e o sistema patriarcal-racista-capitalista segue se reinventando. Mas essa pesquisa é um sopro de esperança para quem acredita que a política ainda pode ser um instrumento de transformação. Que venham mais dados como este, e que eles sirvam para fortalecer a mobilização popular, e não para alimentar a vaidade dos palácios. O povo brasileiro merece um país que não o trate como massa de manobra, e Lula, com todos os seus defeitos, ainda é a melhor expressão dessa possibilidade histórica.

Luiz Augusto

23/06/2026 - 02h17

Queda de rejeição com base em pesquisa encomendada? O PT sempre usou o Ibope e o Datafolha como muleta, agora a Ipsos entra pra turma. Enquanto isso, a inflação corrói o salário do trabalhador e o desemprego continua teimando em não cair. Mas o marketing do Planalto é excelente, isso ninguém pode negar.

    Mariana Lopes

    23/06/2026 - 02h20

    Luiz, você toca num ponto justo sobre a credibilidade das pesquisas, mas a seletividade também é um vício: a mesma turma que contesta pesquisa hoje é a que aplaudia quando os mesmos institutos mostravam rejeição alta no passado. No fim, o dado concreto da inflação e do desemprego fala mais alto que qualquer narrativa de marketing.

    Carlos Oliveira

    23/06/2026 - 02h22

    Luiz Augusto, você critica a pesquisa mas esquece que a inflação caiu e o mínimo subiu acima dela. Enquanto isso, o desemprego tem caído sim, e os números do IBGE mostram isso. O marketing ajuda, mas os direitos trabalhistas e a retomada de obras públicas fazem mais diferença na vida de quem pega no batente.

    Mateus Silva

    23/06/2026 - 02h25

    Luiz Augusto, se o marketing do Planalto é tão eficiente a ponto de derreter a rejeição em meio à inflação, talvez o problema não seja a pesquisa, mas sua dificuldade em admitir que a hegemonia se conquista também na luta ideológica, não só no índice de preços.

Ricardo Almeida

23/06/2026 - 02h08

Caiu a rejeição? Vamos com calma. Pesquisa é foto do momento, e Ipsos-Ipec tem histórico de oscilações conforme a amostra. Antes de comemorar ou se desesperar, quero ver o questionário completo. E lembrando: queda na rejeição não é aumento na aprovação, né?

    João Carlos da Silva

    23/06/2026 - 02h10

    Ricardo, sua cautela metodológica é louvável, e você tem razão: rejeição em queda não implica aprovação em alta. No entanto, ignorar que a redução da rejeição num cenário de forte polarização altera o campo de disputa simbólica é subestimar a complexidade do fenômeno político.

    Cíntia Ribeiro

    23/06/2026 - 02h13

    Ricardo, sua ponderação sobre a fotografia do momento e a necessidade de transparência no questionário é metodologicamente correta. Mas quando uma rejeição cai de forma consistente em diferentes amostras, o movimento sinaliza algo além do ruído — ainda que, de fato, não seja o mesmo que aprovação.

    Renata Oliveira

    23/06/2026 - 02h15

    Ricardo, você tem toda razão: pesquisa é recorte, não profecia. O problema é que tanto a esquerda quanto a direita adoram usar números como se fossem Bíblia. Vamos esperar os dados completos e manter os pés no chão, sem histeria.

Carmem Souza

23/06/2026 - 02h00

É bom ver que a rejeição caiu um pouco, mostra que as pessoas estão abertas ao diálogo. Continuo orando pela nossa nação, independente de partido, que Deus conduza nossos líderes com sabedoria e justiça.

    Marina Silva

    23/06/2026 - 02h03

    Orar até ajuda, mas política de verdade se faz com luta concreta, não esperando sabedoria divina cair do céu.

    Renato Professor

    23/06/2026 - 02h06

    Cara Carmem, sua intenção é nobre, mas orar sem agir é como esperar que a chuva lave a desigualdade sem construir um sistema de drenagem. A queda na rejeição reflete justamente o início de políticas concretas de distribuição de renda, algo que a economia solidária já comprova como mais eficaz do que apelos ao divino.


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