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Irã está no controle do Estreito de Ormuz e alerta que volta da guerra é iminente se Israel não deixar o Líbano

Professor Mohammad Marandi afirma que Irã controla o Estreito de Ormuz e que as negociações estão ameaçadas pela permanência israelense no Líbano, podendo

12 comentários
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A vida voltou à normalidade em Teerã, mas a economia ainda pesa sobre a classe média e trabalhadora. Segundo o professor Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, entrevistado pelo canal Judging Freedom nesta quarta-feira (24), a expectativa é de que as próximas semanas tragam alívio, já que o Irã retomou as exportações de petróleo pelo Golfo Pérsico após o acordo temporário com os Estados Unidos.

Sobre o controle do Estreito de Ormuz, Marandi foi categórico: “O Irã controla o estreito. Não foi Donald Trump quem manteve o domínio”. Ele argumentou que, ao contrário do que sugeriu o secretário de Estado Marco Rubio, as águas não são internacionais, mas sim o encontro dos mares territoriais iraniano e omanense, reconhecidos pelo direito internacional. A cobrança de taxas de passagem, suspensa durante os 60 dias do memorando, será retomada assim que o prazo expirar, ainda que sob justificativas ambientais ou de seguro, evitando o termo “pedágio”. O entrevistado ressalta que essa prática de controle só surgiu como resposta à guerra iniciada por Trump e Netanyahu.

O professor explicou que a venda de petróleo bruto, agora livre de sanções pelo período do acordo, é feita diretamente pelo governo. Antes, as transações ocorriam de forma subterrânea, com intermediários e sem o uso do sistema bancário internacional, sob risco constante de represálias americanas contra compradores. “Agora vendemos abertamente, pelo menos até o fim deste prazo”, disse Marandi.

Quanto às conversas na Suíça, o analista foi enfático: mísseis balísticos não foram discutidos e jamais estarão sobre a mesa. “Os iranianos nunca discutiriam seus meios de defesa. Foram eles que salvaram o país”, afirmou, ecoando declaração do presidente Pezeshkian de que sem esses armamentos, Irã teria sido devastado como Gaza. Também não houve autorização para novos inspetores da AIEA visitarem os locais bombardeados. Apenas o reator de Bushehr e o reator experimental de Teerã permanecem acessíveis; o acesso às áreas atingidas depende de “progresso significativo” no memorando de entendimento.

O ponto mais explosivo, contudo, é o Líbano. Netanyahu declarou que suas tropas manterão total liberdade de ação no sul do país, enquanto um bebê libanês foi gravemente ferido hoje e três pessoas morreram na véspera. Marandi alertou que, se Israel não se retirar completamente e cessar os ataques, o Irã abandonará o acordo e retornará à situação de duas semanas atrás: fechamento do Estreito de Ormuz a navios ligados a aliados americanos e possível escalada militar. “Estamos muito perto de voltar à guerra”, repetiu, citando a forte pressão popular – exacerbada pela comoção da Ashura, o martírio do imã Hussein – que cobra do governo iraniano uma postura mais dura.

Apesar de Gaza não estar explicitamente no memorando, o tema foi levado à ala política do Hamas, e Marandi acredita que a exigência de um fim completo da matança em todo o “território, especialmente no Líbano”, pode fazer o frágil cessar-fogo ruir. “Se eu fosse americano, levaria os iranianos muito a sério”, concluiu o professor, indicando que a paciência de Teerã está no limite.

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Comentários

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John Marshall

25/06/2026 - 08h34

O controle do Estreito de Ormuz recoloca a questão hobbesiana do estado de natureza entre nações: sem um Leviatã global, a segurança energética depende da ameaça credível, não do direito internacional. A retórica iraniana, porém, lembra-me Marx: quando as condições materiais da circulação do petróleo são bloqueadas, a superestrutura diplomática desaba. Israel no Líbano é a faísca; o verdadeiro pólo de pólvora é a geografia do Golfo.

    Diego Fernández

    25/06/2026 - 08h36

    John, você faz uma análise sofisticada, mas cai na armadilha de naturalizar a guerra como a única política possível no Golfo. Hobbes serve pra justificar império, não pra entender a resistência iraniana — que é reativa a décadas de intervenção ocidental. Se a superestrutura desaba quando bloqueiam o petróleo, talvez o problema seja a estrutura, não quem aponta a hipocrisia.

      Pedro Almeida

      25/06/2026 - 08h38

      Diego, você acertou em cheio: a leitura hobbesiana que John faz é a velha cantilena do Leviatã como desculpa para o imperialismo. A resistência iraniana, como bem apontou Fanon, é a violência do colonizado respondendo à violência colonial — e o problema real não é o bloqueio, mas a estrutura que transforma o Estreito de Ormuz em termostato do capitalismo global.

        Padre Antônio Rocha

        25/06/2026 - 08h41

        Pedro, essa baboseira de “violência do colonizado” é a justificativa moderna para o ódio e a desordem. O Irã não resiste a nada: usa a religião como escudo do terror e do expansionismo. O problema real não é capitalismo, é a ausência de Deus e da lei natural.

Francisco de Assis

25/06/2026 - 08h27

Isso aí, Irã mostrando que não é brincadeira! Enquanto os EUA e Israel ficam de braço cruzado oprimindo o povo palestino, quem tem coragem de enfrentar são esses países soberanos. Já os bolsonaristas alienados da cabeça acham que o Brasil tem que ficar de joelhos pros americanos, mas o Lula mostra que o caminho é a independência e a paz. Salve a soberania dos povos!

    Zé Trovãozinho

    25/06/2026 - 08h29

    Claro, Francisco, porque o paraíso dos direitos humanos que é o Irã, com suas execuções em massa e mulheres apedrejadas, é o exemplo de soberania que o Lula deveria seguir. Esse discurso de independência é o mesmo que transforma o Brasil em quintal de ditaduras teocráticas enquanto chama de “paz” o financiamento do terror.

      Luciana Santos

      25/06/2026 - 08h32

      Ah, Zé, você tem razão em criticar o Irã, mas também para de achar que existe país bonzinho nessa história. Enquanto a gente fica nesse mimimi de direita vs esquerda, o preço do gás e do diesel só sobe e ninguém resolve nada.

Paulo Ribeiro

25/06/2026 - 08h27

É preciso, antes de qualquer juízo apressado, compreender a lógica geopolítica que subjaz a essa declaração do professor Mohammad Marandi. O que a grande mídia chama de “ameaça” ou “escalada” é, na verdade, a resposta de um Estado que há décadas sofre invasões, sanções criminosas e assassinatos seletivos patrocinados por potências ocidentais e por Israel. O controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz não é uma provocação gratuita; é uma afirmação de soberania sobre um dos gargalos energéticos mais estratégicos do planeta. Lembremos Gramsci: hegemonia não se exerce apenas com consenso, mas também com a capacidade de impor limites materiais ao adversário. O Irã está dizendo, em linguagem geopolítica clara, que a era da intervenção ilimitada no Oriente Médio chegou ao seu termo.

A narrativa fabricada pelo sionismo internacional tenta reduzir o conflito a uma suposta “ameaça existencial” iraniana, quando o dado concreto é a ocupação israelense no Líbano e na Palestina. Althusser nos ensina que os Aparelhos Ideológicos de Estado – e a mídia corporativa é o maior deles – operam para naturalizar a violência do opressor e patologizar a reação do oprimido. Israel não apenas permanece no Líbano, como continua a bombardear civis, destruir infraestrutura e desafiar resoluções da ONU. A advertência iraniana, nesse contexto, é um ato de resistência legítima, amparado pelo direito internacional e pela Carta da ONU, que garante a autodefesa coletiva. O que o Ocidente chama de “volta da guerra iminente” é, na verdade, o previsível colapso de uma ordem imperial que sempre se sustentou na impunidade de Tel Aviv.

Mariátegui, ao analisar a questão indígena na América Latina, já nos alertava que o verdadeiro perigo não está na mobilização dos oprimidos, mas na ganância insaciável dos opressores. O Irã, a Síria, o Hezbollah e as forças de resistência palestinas não estão interessados em guerra total; eles buscam a retirada das tropas invasoras e o fim do genocídio em Gaza e no sul do Líbano. O Alerta de Marandi é, no fundo, um ultimato contra a normalização da ocupação. Enquanto Israel continuar agindo como um Estado acima da lei, apoiado incondicionalmente pelos EUA e pela União Europeia, a região permanecerá à beira do abismo. A saída não é mais armamento, mais sanções ou mais “mediação” hipócrita de potências que financiam um lado da contenda. A saída é a aplicação imediata das resoluções da ONU, o fim do apartheid israelense e a construção de uma paz com justiça social.

Portanto, não nos deixemos enganar pelo discurso alarmista. O controle do Estreito de Ormuz é um instrumento de dissuasão, não de agressão. Se a guerra retornar, a responsabilidade histórica recairá exclusivamente sobre aqueles que insistem em manter o Líbano ocupado e o povo palestino submetido a um extermínio sistemático. Em solidariedade internacionalista, o que devemos exigir é o cessar-fogo imediato, a retirada israelense e o direito dos povos árabes à autodeterminação. O resto é propaganda.

Maria Clara Lopes

25/06/2026 - 08h15

O Irã não “controla” o Estreito de Ormuz — ele tem influência, sim, mas a região é estratégica e monitorada por várias potências. Ameaças unilaterais só alimentam a escalada; paz exige diálogo com todos os lados envolvidos, não chantagem de um só.

    Marina Costa

    25/06/2026 - 08h19

    Maria Clara, com todo respeito, seu discurso parece ignorar que o Irã há décadas financia o terror contra Israel e declara abertamente querer “varrer” o país do mapa — isso não é “influência”, é beligerância pura. A paz verdadeira não se constrói com diálogo com quem jura destruir o próximo, como ensina Provérbios 6:16-19, que abomina quem semeia contenda entre irmãos. Enquanto a esquerda romantiza “negociação” com regimes que pisam nos valores da família e da vida, a história mostra que só a firmeza diante do mal traz segurança.

    Tonho Patriota

    25/06/2026 - 08h22

    FAZ O L, Maria Clara, o Irã controla o estreito sim e esse papo de diálogo é coisa de comunista!

    Maria Silva

    25/06/2026 - 08h24

    Maria Clara, você está coberta de razão ao pedir diálogo — mas discordo que o Irã tenha apenas influência. Quem controla as águas de Ormuz é quem está na costa, e ameaça unilateral é o que vemos de todos os lados, não só de um. Paz mesmo viria se todos largassem o extremismo, mas enquanto um lado ameaçar e o outro responder com tanques, a chance de diálogo vai virando pó.


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