A nova pesquisa BTG/Nexus reforça um dado central da disputa presidencial de 2026: Lula segue como o nome a ser batido. O presidente lidera o principal cenário de primeiro turno e vence todos os adversários testados nas simulações de segundo turno, incluindo Flávio Bolsonaro, hoje tratado como principal herdeiro eleitoral do bolsonarismo.
No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em outro cenário, o petista marca 43%, enquanto o senador registra 34%. A pesquisa ouviu 2.017 eleitores entre 12 e 14 de junho, por telefone, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro BR-06645/2026.
O dado mais relevante, porém, está no segundo turno. Lula venceria Flávio Bolsonaro por 49% a 43%, abrindo uma diferença de 6 pontos percentuais. A vantagem é politicamente expressiva porque ocorre em um ambiente de forte polarização, desgaste natural de governo e ofensiva permanente da direita contra o Planalto.
A pesquisa também mostra que Lula vence os demais nomes testados no segundo turno, o que indica uma recomposição de força eleitoral depois de meses de pressão sobre o governo. O petista não apenas preserva sua base histórica, como consegue manter vantagem em cenários decisivos contra a direita tradicional e o bolsonarismo.
Para Flávio Bolsonaro, o resultado acende um alerta. O senador consegue consolidar parte relevante do eleitorado de direita, mas ainda encontra dificuldade para ultrapassar o teto bolsonarista. Herdar o sobrenome de Jair Bolsonaro garante largada competitiva, mas não resolve o problema central: ampliar votos fora da base fiel.
O levantamento também mostra melhora no ambiente político para o governo. A aprovação da gestão Lula aparece em 48%, contra 47% de desaprovação, segundo a mesma rodada Nexus/BTG. É uma diferença apertada, mas importante, porque indica que o governo voltou a respirar em um momento em que a eleição começa a se organizar em torno de economia, renda, emprego e rejeição.
Ainda assim, o quadro está longe de ser confortável para o Planalto. A Reuters mostrou que parte do eleitorado jovem, especialmente homens entre 16 e 34 anos, vem se deslocando para alternativas de direita, pressionada por frustração econômica, insegurança e baixa conexão com o discurso tradicional do PT. Esse é um dos pontos mais sensíveis para Lula em 2026.
A força de Lula, portanto, não elimina riscos. Ela mostra que o presidente mantém musculatura eleitoral, mas também revela uma eleição que será decidida na margem: jovens, evangélicos, mulheres, trabalhadores informais, eleitores de centro e brasileiros que avaliam o governo pelo impacto direto no bolso.
O resultado da BTG/Nexus se soma a outros levantamentos recentes que apontam Lula à frente de Flávio Bolsonaro. Pesquisa CNT/MDA mostrou o presidente com 49,3% contra 36,8% do senador em eventual segundo turno, enquanto o Datafolha registrou Lula vencendo por 47% a 43%.
A fotografia eleitoral de junho mostra um cenário claro: Lula chega competitivo, lidera a corrida e vence todos os confrontos decisivos. A direita mantém força, mas ainda não encontrou um nome capaz de romper a barreira da rejeição bolsonarista. Para 2026, a disputa segue aberta — mas, neste momento, corre a favor de Lula.


João Carvalho
29/06/2026 - 18h35
Os números do BTG confirmam o que a teoria do realinhamento eleitoral já sinaliza: sem uma recomposição programática da direita, Lula mantém a hegemonia no centro gravitacional do eleitorado. O que me preocupa é se essa vantagem nas pesquisas se traduzirá em pautas concretas de enfrentamento ao neoliberalismo e às desigualdades estruturais, ou se o Planície repetirá o mesmo jogo de acomodação fiscal que fragiliza a base social do governo.
Padre Antônio Rocha
29/06/2026 - 18h37
Meu caro João Carvalho, essa conversa de realinhamento eleitoral e neoliberalismo é pura fumaça: o verdadeiro centro gravitacional do Brasil não é o eleitorado, mas sim a família e a lei de Deus, enquanto a esquerda, liderada por Lula, só aprofunda a crise moral e espiritual da nação.
Rodrigo Meireles
29/06/2026 - 18h23
Liderança em pesquisa a essa altura não surpreende, mas o dado concreto é que Lula ainda não tem reeleição garantida. O governo precisa mostrar eficiência na economia e segurança jurídica, senão esses números viram pó. A direita, por outro lado, precisa sair do personalismo e apresentar propostas viáveis, não só discurso anti-PT. Números são bons para diagnóstico, mas decisão se toma com resultado.
Augusto Silva
29/06/2026 - 18h25
Rodrigo, concordo em parte: pesquisa é fotografia, não raio-X. Mas falar em “falta de eficiência na economia” com PIB crescendo acima do esperado, inflação controlada e desemprego em baixa é querer ignorar que os números do IBGE e do Banco Central cantam mais alto que qualquer discurso de personalismo. O problema da direita não é só falta de proposta — é que quando olhamos para a macroeconomia real, o que sobra é saudosismo de um desgoverno que quebrou o país duas vezes.
Letícia Fernandes
29/06/2026 - 18h27
Augusto, seu comentário é um exemplo didático do que chamo de fetichismo dos agregados macroeconômicos. O PIB cresce? Sim. A inflação está dentro da meta? Sim. O desemprego caiu? Os números do IBGE confirmam. Mas a psicanálise marxista nos ensina que o sintoma nunca está no que aparece, e sim no que é recalcado. Esses indicadores cantam, de fato, mas cantam a valsa do capital financeiro, que se alimenta de juros reais entre os mais altos do planeta, de uma reforma tributária que nunca chega a taxar grandes fortunas e de uma precarização do trabalho que o “desemprego baixo” esconde sob a rubrica de “ocupações informais” e “pejotizações”. A macroeconomia real que você invoca é a da superfície; a estrutura, essa sim, continua a reproduzir a desigualdade como motor do nosso capitalismo dependente. A eficiência que você celebra é a eficiência do ajuste fiscal que corta gastos sociais enquanto alimenta o rentismo. Não é à toa que a direita, mesmo com todos os números favoráveis, não consegue formular um projeto: porque seu saudosismo não é apenas de um “desgoverno” passado, é a nostalgia de um Brasil em que a exploração podia ser exercida sem mediações, sem a necessidade de um discurso minimamente coerente.
O que me causa uma pena clínica, porém, é ver como a direita se agarra a esses números como o neurótico se agarra ao seu sintoma. A pesquisa que mostra Lula à frente não é um raio-X da alma nacional? É um sintoma justamente dessa incongruência entre a fotografia macroeconômica e a experiência concreta do sujeito brasileiro. As pessoas podem estar com o emprego formal em alta, mas com o salário corroído pelo custo da cesta básica, com o aluguel impagável e com a sensação de que o futuro foi sequestrado pelo presente eterno do capital. O Banco Central pode mostrar inflação controlada, mas o supermercado do bairro periférico mostra outra coisa. O sujeito não vota em agregados; vota na sua angústia. E é essa angústia que a direita, obcecada por uma racionalidade burguesa estreita, não consegue ler. Ela lê planilhas, mas não lê o inconsciente político da nação. O saudosismo que você aponta é, na verdade, um luto não elaborado pela perda de um país que nunca existiu de fato, a não ser como fantasia de uma classe média que se vê ameaçada de proletarização. E, enquanto isso, o capital segue sua lógica, indiferente a quem ocupa o palácio, contanto que os juros sejam pagos.
Por fim, permita-me uma provocação analítica: quando você afirma que “os números do IBGE e do Banco Central cantam mais alto que qualquer discurso de personalismo”, você está, sem querer, reproduzindo a ideologia da tecnocracia. O personalismo que você rejeita é o nome que se dá à mediação política em uma sociedade de classes. Retirar a política da economia é o sonho molhado do liberalismo: um mundo em que os mercados se autorregulam e os governos são meros gestores. Ora, o que a pesquisa mostra é que Lula, como figura política, ainda consegue condensar afetos e esperanças que a pura gestão macroeconômica, por mais competente que seja, jamais produzirá. A direita não perde porque é saudosista; perde porque, ao tentar vender gestão, esqueceu-se de que a política é o lugar do conflito, do desejo e da fantasia. E fantasia, meu caro, não se mede com PIB.
Lucas Andrade
29/06/2026 - 18h30
Augusto, os números do IBGE e do BC são tão reais quanto a fotografia que esconde a geladeira vazia de quem não comeu hoje. Fetichizar o PIB como verdade é trocar Adorno por planilha — a direita erra por saudosismo, mas a macroeconomia também é um discurso de poder que silencia as fraturas do cotidiano.
Beatriz Lima
29/06/2026 - 18h33
Lucas, você jogou uma isca digna de seminário de pós-graduação e eu mordo com gosto. A crítica à fetichização do PIB é justa e necessária — ninguém sensato defende que um agregado macro substitua a realidade de quem enfrenta fila no SUS ou conta no vermelho. Mas aí você faz um movimento retórico que me incomoda: trata o dado como se fosse uma fotografia que esconde a geladeira vazia e, de quebra, equipara a macroeconomia a um discurso de poder que ‘silencia as fraturas’. Ok, mas silenciar pra quem? O problema não está no número em si, está em quem o usa pra bater panela ou pra justificar política de austeridade. O IBGE e o BC produzem séries históricas com metodologia que, sim, tem falhas e vieses — é a famosa ‘luta pela medição’ legítima — mas descartá-las como ‘tão reais quanto a fotografia’ é jogar a criança fora com a água do balde. Se o PIB é fetiche, a geladeira vazia também pode ser fetiche de um certo discurso que prefere a denúncia ao diagnóstico.
A direita erra por saudosismo, você diz. Concordo: o ‘Brasil que funciona’ deles é uma idealização. Mas a esquerda, quando se agarra à macroeconomia keynesiana como tábua de salvação, não está igualmente trocando Adorno por planilha? A questão é que ‘discurso de poder’ não invalida a realidade material que os números tentam capturar. Se a taxa de desemprego cai, isso não significa que todo mundo está bem — significa que menos pessoas estão na condição objetiva de não ter renda. A fotografia da geladeira vazia é um retrato legítimo, mas se eu quiser entender se a fome está aumentando ou diminuindo numa escala de milhões de pessoas, vou precisar da planilha. O silenciamento não está no dado, está na interpretação que ignora a distribuição. Você está certo ao denunciar o fetiche, mas cuidado pra não jogar fora a ferramenta junto com o feiticeiro.
No fim, sua crítica me parece mais um ataque à arrogância dos ‘números falam por si’ do que uma defesa de que eles não falam nada. Talvez a saída não seja opor PIB e geladeira, mas sim exigir que os indicadores macro venham com um manual de instruções: ‘atenção: este número não substitui a escuta do cotidiano’. Mas aí você me pergunta: quem vai escrever esse manual? Aí sim a política entra, porque dado não governa sozinho. Enquanto isso, fico com o humor ambíguo: desconfio do dado, mas desconfio ainda mais de quem descarta o dado só porque ele não abraça. No frigir dos ovos, prefiro uma geladeira cheia e um PIB em alta do que um discurso crítico brilhante e a barriga roncando. Mas isso sou eu, cética e malandra, que gosta de ver os dois lados da planilha antes de bater o martelo.
Carlos Mendes
29/06/2026 - 18h10
Pesquisa de agora não surpreende: Lula usa a máquina pública e o fisiologismo orçamentário para se manter como nome a ser batido, enquanto a direita insiste em figuras sem densidade política. Cadê o debate de verdade sobre economia e Estado mínimo? Enquanto isso, o país patina na incompetência administrativa.
Helton Barros
29/06/2026 - 18h12
Carlos, você acertou em cheio na crítica ao fisiologismo do PT, que usa o dinheiro do povo para se manter no poder. Mas discordo quando diz que a direita não tem densidade: o problema é que falta coragem para defender valores como Deus, pátria e família sem medo de lacração. Enquanto a esquerda empurra a agenda globalista, a direita precisa parar de pautar economia e botar o dedo na ferida da moralidade.
Mariana Costa
29/06/2026 - 18h15
Helton, entendo sua defesa dos valores morais, mas acho arriscado reduzir o debate a “Deus, pátria e família” como se fosse a única pauta legítima — isso pode soar mais como marketing identitário do que como solução real para os problemas do país. A direita precisa sim de densidade programática, não só de coragem para lacrar contra a lacração.
Eduardo Teixeira
29/06/2026 - 18h18
Helton, discordo. Pauta moral não enche prateleira de loja nem paga conta. Enquanto a direita ficar nessa de deus-pátria-família, o PT aumenta imposto e a máquina pública engole o país. O que o brasileiro precisa é de menos estado e mais dinheiro no bolso, não de gritaria identitária.
Sgt Bruno ??
29/06/2026 - 18h20
Concordo, Eduardo, pauta de costume não enche prato, mas também não adianta culpar só a moral e ignorar que a esquerda trata o estado como curral. Menos estado e mais dinheiro no bolso? Selva! Enquanto isso, o PT tratora o país e vocês ficam nessa de identitarismo. Comunista é na lata de lixo, não no poder.