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Chile alcança 9,9% do mercado de elétricos com alta recorde de 247% em abril

Veículos elétricos em estação de recarga com bandeira do Chile ao fundo, em Santiago. O mercado chileno de veículos elétricos atingiu 9,9% de participação em abril, impulsionado por um crescimento de 247% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano anterior. O salto elevou os emplacamentos para quase 3 mil unidades, um recorde que […]

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Veículos elétricos em estação de recarga com bandeira do Chile ao fundo, em Santiago. (Foto: cleantechnica.com)

O mercado chileno de veículos elétricos atingiu 9,9% de participação em abril, impulsionado por um crescimento de 247% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano anterior. O salto elevou os emplacamentos para quase 3 mil unidades, um recorde que consolida o Chile como protagonista da mobilidade elétrica na América Latina.

A gasolina no Chile, uma das mais caras da região, subiu de 1,3 dólar para 1,7 dólar por litro após a redução de 10% na oferta global de petróleo. A queda na produção foi provocada pela guerra dos Estados Unidos contra a República Islâmica do Irã, agravando a dependência chilena de combustíveis importados.

Até o fim de 2025, a participação de elétricos no mercado chileno era de apenas 3,3%, com tímidos 4,72% no primeiro trimestre de 2026. O salto para quase 10% em um único mês surpreendeu analistas e demonstrou como choques externos aceleram transições energéticas.

Segundo levantamento do portal CleanTechnica, o mercado chileno apresentou uma particularidade rara: a rápida migração de veículos totalmente elétricos para uma quase paridade com híbridos plug-in. Enquanto os BEVs cresceram 150% na comparação anual, os PHEVs explodiram 535% no mesmo período.

A liderança entre as marcas ficou com a chinesa Changan, que conquistou consumidores com o modelo CS55 PHEV. BYD e Tesla completaram o pódio, refletindo a forte presença de fabricantes asiáticos no mercado local.

O ranking de modelos revelou um mercado competitivo, onde o líder Tesla Model Y vendeu menos que o dobro do décimo colocado, o Jaecoo 7. Essa pulverização contrasta com países vizinhos, como a Colômbia, onde o modelo mais vendido chega a ter 20 vezes mais emplacamentos que o décimo da lista.

As regulamentações de eficiência energética veicular no Chile, as únicas abrangentes na América Latina, também influenciaram o resultado. As normas para veículos leves de passageiros, em vigor desde 2024, terão exigências mais rígidas a partir de 2027, forçando importadores a ampliarem a oferta de elétricos.

As regras para veículos comerciais leves começaram este ano, com nova rodada prevista para 2029, enquanto os pesados enfrentarão padrões iniciais em 2028. A legislação mede a eficiência por importador, permitindo que empresas compensem modelos a combustão com veículos exclusivamente elétricos.

O Chile lidera a América Latina em ônibus elétricos, com a segunda maior frota do mundo, atrás apenas da China. Neste ano, três a cada quatro ônibus vendidos no país são elétricos, cada um deslocando o consumo de combustível equivalente a quase cem veículos de passeio.

Apesar da liderança em transporte pesado, o consumo de diesel nacional não caiu na mesma proporção. A energia gerada pelas fazendas solares do deserto do Atacama segue subutilizada, enquanto a dependência de combustíveis importados persiste.

A presença de modelos a combustão hiperacessíveis também freou a transição elétrica. Um Geely Coolray Lite a gasolina custa cerca de 11.800 dólares, enquanto o elétrico Geely EX2 sai por 19.100 dólares, uma diferença significativa para o consumidor chileno.

Essa distorção de preços, comum na América Latina, está sendo corroída pelo custo de abastecimento. Com a gasolina beirando 6,4 dólares por galão, a equação econômica pende para os elétricos.

As vendas totais de veículos no Chile, em queda desde 2022, estabilizaram-se em torno de 100 mil unidades nos primeiros quadrimestres. Toda a recuperação observada em 2026 foi impulsionada pelos elétricos, enquanto os modelos a combustão permanecem estagnados.

A alta nos preços dos combustíveis, provocada pela guerra dos EUA contra o Irã, pode representar um ponto de inflexão para a mobilidade chilena. O país reúne condições ideais para uma adoção massiva: rede de recarga consolidada, oferta variada de modelos e geração solar própria.

A migração dos consumidores chilenos para os elétricos em abril sinaliza que a barreira principal nunca foi tecnológica ou de infraestrutura, mas econômica. Com o choque nos combustíveis, o caminho para a eletrificação parece irreversível.


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