Dois congressistas dos Estados Unidos lideram resistência bipartidária contra a Seção 224 da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA). O dispositivo aprofundaria a integração entre as forças armadas americanas e israelenses.
O representante democrata Ro Khanna, membro do Comitê de Serviços Armados da Câmara, anunciou emenda para remover o trecho do projeto de orçamento militar de 1,15 trilhão de dólares. O deputado republicano Thomas Massie prometeu levar a oposição ao plenário caso a seção seja aprovada no comitê.
Massie classificou a questão como problema de soberania nacional. Afirmou que os Estados Unidos são um país soberano e não devem atrelar-se tecnologicamente a governos estrangeiros.
Khanna se uniu a Massie, destacando que nada destrói a parceria entre os dois, nem mesmo ataques do presidente Donald Trump. A aliança já liderou campanhas contra apoio irrestrito a Israel e pela divulgação de arquivos sigilosos.
A Seção 224 determina que o secretário de Defesa designe um agente executivo para sincronizar esforços cooperativos entre os dois países. Abrange pesquisa, desenvolvimento, testes, avaliação, integração e cooperação industrial em tecnologia de defesa bilateral.
Críticos apontam que a medida tornaria a ajuda militar americana a Israel menos transparente. Dispositivo disfarçaria gastos como mera cooperação técnica, não como despesa separada.
Segundo reportagem da Al Jazeera, a resistência ocorre em momento de crescente rejeição da opinião pública americana ao apoio incondicional a Israel. Pesquisa do New York Times e do Siena College revelou que 57% dos eleitores se opõem a fornecer apoio econômico e militar adicional ao governo israelense.
A guerra israelense contra Gaza, iniciada em 2023, já matou mais de 75 mil pessoas. O conflito gerou condenação internacional generalizada, com escrutínio sobre o papel da tecnologia no conflito.
Israel depende cada vez mais de inteligência artificial para vigiar, identificar e atacar alvos. Sistemas poderiam ser compartilhados com os Estados Unidos por meio da nova legislação.
O deputado republicano Derrick Van Orden criticou Massie por questionar os laços com Israel. Acusou-o de antissemitismo e defendeu que o acordo permitiria aos Estados Unidos aproveitar tecnologias israelenses avançadas.
Massie rebateu mencionando incidente em que Israel manipulou pagers usados por membros civis e militares do Hezbollah para explodirem. O ataque matou e feriu centenas de pessoas, incluindo crianças.
O NDAA deste ano inclui seção intitulada Questões relativas a Israel. Propõe cooperação em capacidades antítúnel e tecnologias antidrones.
A resistência de Khanna e Massie expõe fissura no consenso bipartidário que blinda apoio militar a Israel. Opinião pública americana se volta contra essa política.
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