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Telescópio James Webb revela galáxia primitiva com química única no universo antigo

Galáxia quimicamente primitiva observada pelo Telescópio Espacial James Webb no Universo antigo. O Telescópio Espacial James Webb descobriu a galáxia mais quimicamente primitiva já detectada no Universo primordial. O achado permite observar diretamente as condições que existiam apenas 800 milhões de anos após o Big Bang. Uma equipe internacional liderada pelo professor Kimihiko Nakajima, da […]

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Galáxia quimicamente primitiva observada pelo Telescópio Espacial James Webb no Universo antigo. (Foto: olhardigital.com.br)

O Telescópio Espacial James Webb descobriu a galáxia mais quimicamente primitiva já detectada no Universo primordial. O achado permite observar diretamente as condições que existiam apenas 800 milhões de anos após o Big Bang.

Uma equipe internacional liderada pelo professor Kimihiko Nakajima, da Universidade de Kanazawa, no Japão, publicou os resultados em revista científica renomada. A galáxia, batizada de LAP1-B, só pôde ser estudada graças a uma lente gravitacional natural que ampliou sua luz em 100 vezes.

Após 30 horas de observações espectroscópicas com os instrumentos do Webb, a equipe mediu a composição química do objeto. A galáxia revelou escassez recorde de oxigênio, com apenas 1/240 da abundância encontrada no Sol.

O Universo recém-nascido continha apenas elementos leves como hidrogênio e hélio. Carbono, oxigênio e outros átomos pesados foram forjados no interior das primeiras estrelas, conhecidas como População III, e dispersos após suas explosões em supernovas.

Durante décadas, astrofísicos buscaram galáxias que preservassem as marcas químicas dessas explosões primordiais. a LAP1-B exibe proporção de carbono em relação ao oxigênio alinhada com previsões teóricas do material ejetado por estrelas de População III.

Além da química singular, a galáxia revelou massa extremamente leve, com menos de 3,3 mil massas solares. Isso indica que sua estrutura é composta principalmente por um halo de matéria escura.

Essa assinatura dupla — pobreza química extrema e massa diminuta — faz da LAP1-B uma progenitora direta das galáxias anãs ultra-fracas que orbitam a Via Láctea atualmente. Nakajima afirmou que a extrema falta de oxigênio nos dados o entusiasmou instantaneamente.

O professor Masami Ouchi, do Observatório Astronômico Nacional do Japão e coautor do estudo, destacou a importância da correlação com galáxias fósseis locais. As UFDs, compostas por estrelas com mais de 12 bilhões de anos, eram consideradas possíveis remanescentes das primeiras galáxias.

Para Ouchi, a descoberta resolve um enigma sobre como esses fósseis cósmicos sobreviveram em sua forma atual. Ele ressaltou que a LAP1-B se assemelha exatamente ao ancestral imaginado nas teorias.

A combinação de baixa abundância de oxigênio, proporção elevada de carbono e presença dominante de matéria escura oferece nova metodologia para mapear o surgimento dos elementos pesados no cosmos. A equipe planeja usar dados do James Webb para buscar objetos ainda mais primitivos quimicamente.

Nakajima explicou que, normalmente, astrônomos agem como arqueólogos cósmicos, tentando adivinhar o passado ao observar estrelas antigas na vizinhança. Agora, é possível analisar o gás diretamente da cena original de 13 bilhões de anos atrás.


Leia também: James Webb revela a galáxia mais quimicamente primitiva do universo antigo e reescreve origens cósmicas


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