A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos gerou novo embate sobre os parâmetros adotados pelo Brasil. O governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reafirma sua posição soberana de reconhecer apenas designações emanadas do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O anúncio americano ocorreu após reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Joe Biden na Casa Branca. O parlamentar confirmou que a inclusão do PCC e CV na lista de terroristas foi tema central do encontro, evidenciando o caráter político da medida. A decisão dos EUA não tem validade automática no território nacional, conforme estabelece a legislação brasileira.
A Lei nº 13.369/2017 determina que o Brasil só aplica sanções contra organizações ou indivíduos listados pelo Conselho de Segurança da ONU. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou essa posição em audiência no Senado Federal. ‘Reconhecemos apenas designações feitas pela ONU, órgão responsável por garantir a paz e a segurança internacional’, afirmou o chanceler.
A Convenção Internacional para a Supressão do Financiamento do Terrorismo, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1999, define terrorismo como ações destinadas a causar morte ou lesão grave a civis com fins de intimidação. Esse marco orienta a atuação brasileira, complementado pela Resolução nº 1566 do Conselho de Segurança, de 2004.
O Brasil também possui a Lei Antiterrorista (Lei nº 13.260/2016), que tipifica o crime de terrorismo no ordenamento jurídico interno. Especialistas destacam que a aplicação dessa legislação deve ser criteriosa, evitando interpretações automáticas para contextos externos. A norma delimita motivações que caracterizam ações terroristas, mas não vincula o país a listas unilaterais.
A recusa do governo brasileiro em aderir às designações unilaterais dos EUA reforça o compromisso com a legalidade internacional. A postura soberana do país na condução de sua política externa e de segurança demonstra resistência às práticas de instrumentalização do direito internacional por potências hegemônicas.
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