A startup Pacific Fusion, dos Estados Unidos, anunciou um avanço significativo em sua tecnologia de fusão nuclear. O protótipo de módulo de fusão desenvolvido pela empresa alcançou uma potência de pico de 440 gigawatts em apenas 80 nanossegundos. O resultado foi divulgado com exclusividade ao portal TechCrunch e garantiu uma nova parcela de investimentos na rodada Série A, que já supera US$ 1 bilhão. A Pacific Fusion figura entre as startups de fusão mais bem financiadas do mundo.
Keith LeChien, diretor de tecnologia da empresa, destacou que o modelo de aportes escalonados, inspirado na biotecnologia, permitiu à equipe focar no desenvolvimento técnico sem a pressão constante por captação de recursos. Isso nos permite mirar no futuro, afirmou. O protótipo testado possui cerca de um terço do tamanho de um módulo completo e contém nove estágios e 90 bricks – cada brick combina dois capacitores para armazenamento de energia e um interruptor para liberação. O módulo final terá 156 unidades, cada uma com 32 estágios circulares e 10 bricks por estágio.
A Pacific Fusion utiliza a técnica de fusão por confinamento inercial, a mesma que permitiu à humanidade alcançar o breakeven científico – quando a reação gera mais energia do que consome – no National Ignition Facility (NIF) do Laboratório Nacional Lawrence Livermore. Diferente do NIF, que emprega lasers de alto custo, a startup aposta em milhares de capacitores e interruptores elétricos de baixo custo. O desafio reside na coordenação precisa da descarga elétrica: se os capacitores não liberarem energia no momento exato, o alvo de combustível não será comprimido na velocidade necessária para desencadear a fusão. O sucesso do protótipo em liberar 440 gigawatts em 80 nanossegundos atende aos requisitos para escalar o sistema.
A construção da usina de demonstração está programada para começar neste verão no Hemisfério Norte. As escavadeiras entrarão em operação mesmo antes da conclusão dos testes com os módulos em escala real. A meta da empresa é avançar diretamente para o breakeven de instalação, etapa em que o dispositivo gerará eletricidade suficiente para abastecer toda a central. Para LeChien, esse é o próximo marco decisivo da fusão, independentemente da tecnologia adotada. A Pacific Fusion acredita que sua abordagem com pulsos elétricos é mais escalável e econômica que os lasers, abrindo caminho para a energia de fusão comercial.


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