A jornada de exploração no sítio Campo Marte chegou ao fim para o rover Curiosity, da NASA, que concluiu sua 47ª perfuração bem-sucedida na superfície marciana. O veículo explorador agora avança para novas áreas de investigação no Monte Sharp. A perfuração, que manteve o rover estacionado por um período considerável, foi acompanhada por uma intensa campanha de observações e análises que prometem revelar detalhes inéditos sobre a composição mineral e a história geológica do planeta vermelho.
A professora de Mineralogia Planetária na Open University do Reino Unido, Susanne P. Schwenzer, que atuou três vezes com “Pensar por muito tempo em uma área de trabalho sempre me faz sentir apegada ao local”, escreveu Schwenzer, destacando que a despedida de Campo Marte é um momento significativo enquanto o Curiosity retoma sua trilha montanha acima.
A operação de perfuração foi apenas o ponto de partida para uma meticulosa investigação científica. O instrumento CheMin foi acionado para obter dados mineralógicos precisos, enquanto o SAM analisou as liberações voláteis das amostras coletadas, oferecendo pistas sobre a química orgânica e inorgânica do solo. Paralelamente, os instrumentos ChemCam, APXS, MAHLI e Mastcam documentaram exaustivamente o furo, as partículas finas resultantes da broca e a quantidade de amostra disponível para as análises seguintes.
Um dos exercícios mais impressionantes da etapa foi o trabalho de precisão da ChemCam, que mirou em dois alvos milimétricos em camadas adjacentes de sedimentos finamente laminados, apelidados de “Corcovado” e “Junakas”. Localizados a cerca de 3 metros de distância do rover, o objetivo é descobrir se as camadas possuem composições químicas distintas, o que indicaria condições de formação diferentes, ou se elas são similares, sugerindo um ambiente deposicional mais uniforme no passado marciano.
A curiosidade científica da equipe também se voltou para rochas de aparência intrigante, como o alvo flutuante e excepcionalmente escuro chamado “Alcamachi”, que pode sinalizar uma química diferenciada. A ChemCam ainda realizou uma investigação espectral no alvo “Magallanas”, distante demais para o disparo do laser, mas cuja cor escura aguçou o interesse dos pesquisadores por possíveis variações na composição das rochas da região.
Além do foco geoquímico, a ChemCam planejou três imageamentos de longa distância (RMI) para documentar estruturas sedimentares jovens e antigas nos arredores do rover. Um desses mosaicos, com impressionantes 24 quadros, pode ter quebrado um recorde da missão como a mais longa faixa contínua de imagens RMI já obtida, conectando-se a um conjunto anterior de imagens para formar um panorama detalhado de uma pequena crista com texturas que narram as condições ambientais de eras passadas.
O trabalho incansável da Mastcam também merece destaque, pois a câmera imageou toda a região ao redor do Curiosity, além de produzir mosaicos de alta resolução do local onde a amostra excedente foi descartada e da área de trabalho. O objetivo foi verificar quanto material pode ter permanecido no tubo da broca e caído durante as manobras de vibração projetadas para liberar resíduos e deixar o sistema limpo para a próxima coleta.
Não menos minuciosa, a MAHLI dedicou-se a imagear as entradas dos instrumentos para garantir que estão impecáveis e prontas para a próxima amostra. Em uma nota curiosa, Schwenzer mencionou a presença de uma pequena rocha na entrada do CheMin, carinhosamente apelidada pela equipe do instrumento como “nossa rocha de estimação”, que tem acompanhado o rover por um bom tempo sem comprometer as operações.
O instrumento APXS, focado nas análises do furo, aproveitou a oportunidade para ir além dos níveis usuais de contagem estatística ao aumentar significativamente o tempo de medição sobre as partículas finas da perfuração Campo Marte. O experimento se estendeu por todos os planos da semana, culminando em uma sessão noturna com as luzes de LED da MAHLI, que documentou o trabalho com um espetáculo cintilante de ciência robótica na escuridão marciana.
Enquanto toda a investigação geológica ocorria, a equipe de monitoramento ambiental manteve o Curiosity ocupado com medições de opacidade atmosférica, atividade de poeira e detecção de redemoinhos de areia, os chamados “dust devils”. Com todas as atividades concluídas e um rico conjunto de dados a bordo, o rover agora segue sua escalada pelo Monte Sharp rumo à próxima área de interesse, onde estruturas sedimentares conhecidas como “estratificações cruzadas” aguardam para contar novos capítulos da história de Marte.


Marta Souza
04/06/2026 - 05h38
47 furos em Marte e o Brasil ainda não consegue privatizar nem a exploração espacial. Enquanto a NASA inova com parcerias privadas, aqui a carga tributária engole qualquer startup que tente sair do papel. Liberdade econômica e menos Estado é o que leva a humanidade pra frente.
Augusto Silva
04/06/2026 - 05h41
Marta, o foguete foi pra Marte com US$ 2,5 bilhões do contribuinte americano, não com vale-refeição de startup. Nosso problema não é carga tributária, é que o Estado gasta metade do orçamento pagando juros da dívida enquanto corta verba da ciência. Privatizar a exploração espacial sem política industrial é entregar o pré-sal de graça, não levar humanidade pra frente.
Paulo Rocha
04/06/2026 - 05h23
Mais uma perfuração em Marte e o Brasil afundando no socialismo. Enquanto isso, a esquerda quer destruir nossos valores. Faz o L e vai pra Cuba, seu povo! Isso sim é ciência de verdade, não essa palhaçada de ideologia de gênero.
Luizinho 16
04/06/2026 - 05h27
O foguete foi pra Marte e o senhor ficou com a cabeça no fascismo, hein tiozão?
Márcio Torres
04/06/2026 - 05h33
Interessante como uma perfuração geológica em Marte vira, na sua cabeça, um palanque para atacar “ideologia de gênero” e o “socialismo”. Deixe-me ajudar com uma distinção elementar: o rover Curiosity coleta amostras de rocha sedimentar no solo marciano para analisar compostos orgânicos e minerais — isso é geologia planetária. Não tem a menor relação com PIB brasileiro, reforma tributária ou qualquer disputa ideológica doméstica. A incapacidade de separar uma notícia científica de projeções políticas diz mais sobre a estrutura do seu viés confirmatório do que sobre a realidade objetiva. Enquanto a NASA continua seu trabalho de coleta de dados empíricos, você está aqui tentando atribuir a um robô de 900 kg a missão de validar seus espantalhos morais.
Sobre a suposta “destruição de valores pela esquerda” e a tal “palhaçada de ideologia de gênero”: nenhum desses conceitos aparece no relatório técnico da missão Mars Science Laboratory. Você está operando num plano de crenças que não exige nenhuma evidência — a mesma estrutura cognitiva que leva alguém a acreditar que a perfuração de uma rocha em Marte é uma “ciência de verdade” que se contrapõe a debates antropológicos sobre identidade. O paradoxo é que você exalta o método científico (a perfuração, os dados, o rover) como modelo de rigor, mas aplica zero desse rigor quando o assunto toca suas convicções políticas ou religiosas. Se a ciência que você celebra ensina algo, é que devemos julgar hipóteses por sua capacidade de previsão e falseabilidade. Sua tese de que “Marte perfurado, Brasil socialista” é uma hipótese que sequer faz sentido lógico — que mecanismo causal liga a perfuração de uma rocha a 225 milhões de quilômetros de distância com o salário mínimo brasileiro? Nenhum. Você está apenas colocando seu viés em órbita, sem combustível.