A desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) de disputar o governo de Minas Gerais levou a direção estadual do PT a aprovar resolução que abre o debate por uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. O documento, elaborado pela Executiva Estadual na quinta-feira e divulgado neste sábado, sinaliza urgência na reorganização do campo governista no estado.
Segundo reportagem da Carta Capital, a resolução determina abertura imediata de processo interno para avaliar nomes petistas capazes de liderar a disputa estadual. A direção partidária considera que a ausência de candidatura consolidada no campo progressista cria risco de favorecer adversários.
A resolução destaca que a eleição de 2026 será polarizada entre o campo democrático e popular, liderado pelo presidente Lula, e as forças vinculadas ao bolsonarismo. A vitória em Minas Gerais é estratégica para a reeleição do petista e exige tática eleitoral que fortaleça o palanque governista no segundo maior colégio eleitoral do país.
Pacheco era apontado por Lula como nome ideal para comandar frente ampla no estado, reunindo partidos de centro e esquerda. Sua desistência reorganiza o tabuleiro eleitoral mineiro e força o PT a recalcular sua estratégia com menos de cinco meses para o início oficial da campanha.
A resolução também reafirma como prioridades a reeleição de Lula, a candidatura da ex-prefeita de Contagem Marília Campos ao Senado e a ampliação das bancadas federal e estadual do partido. Marília Campos, que governou Contagem por dois mandatos com altos índices de aprovação, desponta como ativo eleitoral para impulsionar o campo progressista.
O debate sobre o nome que encabeçará a chapa ao governo ainda está em fase inicial, mas a direção estadual avalia que candidatura própria é o caminho mais coerente diante do vácuo deixado por Pacheco. A dependência exclusiva de alianças com outros partidos poderia enfraquecer a mobilização da militância e a transferência de votos para Lula.
Dirigentes petistas mineiros afirmam que o processo de definição será conduzido com transparência e ampla participação das correntes internas. O calendário eleitoral exige realização de convenções partidárias até meados de julho, o que justifica a pressa na construção de alianças sólidas com outras legendas progressistas.
A conjuntura mineira exige articulações cuidadosas, dada a força de lideranças regionais e a tradição de alternância de poder no estado. O PT, que governou Minas com Fernando Pimentel entre 2015 e 2018, busca retomar o protagonismo em um dos cenários mais disputados do ciclo eleitoral de 2026.
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