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Vulcão submarino pode expelir fumaça diretamente do oceano e criar ilha em região ainda não mapeada do Pacífico

Ilustração editorial sobre Vulcão submarino pode expelir fumaça diretamente do oceano e criar ilha em região ainda não mapeada do Pacífico. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) Uma vasta região do Mar de Bismarck, ao norte de Papua-Nova Guiné, vive um estado de alerta geológico diante de sinais que apontam para uma erupção submarina iminente. A […]

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Ilustração editorial sobre Vulcão submarino pode expelir fumaça diretamente do oceano e criar ilha em região ainda não mapeada do Pacífico. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma vasta região do Mar de Bismarck, ao norte de Papua-Nova Guiné, vive um estado de alerta geológico diante de sinais que apontam para uma erupção submarina iminente. A atividade, se confirmada, poderá ejetar fumaça diretamente do oceano e até mesmo criar uma nova ilha em uma área tão mal mapeada que cientistas admitem conhecer melhor a superfície de Marte do que o relevo submerso do Pacífico naquele ponto.

O cientista-chefe do Goddard Space Flight Center da NASA, Jim Garvin, afirmou que os satélites em órbita oferecem enormes oportunidades de explorar e aprender diante da possível atividade. Ele coordena uma força-tarefa que combina dados de múltiplos instrumentos espaciais, como os sensores MODIS a bordo dos satélites Aqua e Terra, para detectar qualquer alteração térmica ou coluna de vapor que surja na superfície marinha.

Os primeiros indícios da erupção devem surgir na forma de uma sequência de pequenos tremores nas proximidades de uma estrutura vulcânica a cerca de 16 quilômetros do ponto onde uma erupção submarina foi captada por instrumentos em 1972. O Observatório Vulcanológico de Rabaul, em Papua-Nova Guiné, afirmou que tal enxame sísmico seria compatível com a ascensão de magma em direção ao fundo marinho.

Uma vez iniciada a erupção, os satélites Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, e o Landsat 9, operado pela NASA em parceria com o Serviço Geológico dos EUA, deverão captar em detalhes as plumas de vapor e cinzas. Simon Carn, vulcanólogo da Michigan Tech, explicou que a presença de material quente próximo à superfície será indicada por um conjunto de anomalias térmicas, sugerindo uma abertura eruptiva relativamente rasa.

O fenômeno, se seguir o padrão de eventos anteriores na região, poderá espalhar imensas esteiras flutuantes de pedra-pomes — uma rocha vulcânica leve e porosa capaz de permanecer à tona e derivar por centenas de quilômetros. As autoridades de Papua-Nova Guiné já alertaram navegadores sobre os riscos potenciais, que incluem queda de cinzas, ondulações imprevisíveis e correntes turbulentas.

Um dos enigmas que mais intriga os pesquisadores é a possibilidade de a estrutura emergente resistir à erosão e formar uma ilha permanente, algo que equipes da NASA e de outras agências monitoram com atenção renovada. Garvin comparou o cenário ao que ocorreu após a erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, em 2022, quando o estudo de uma ilha vulcânica recém-criada permitiu avanços notáveis na compreensão de processos de colonização biológica e intemperismo.

Apesar do entusiasmo científico, a região do Mar de Bismarck exemplifica uma lacuna gritante na cartografia oceânica global. A NASA frisou que a área está repleta de falhas transformantes, zonas de subducção, escarpas e estruturas vulcânicas a profundidades que variam de 500 a 800 metros, o que dificulta o mapeamento por sonar de alta resolução.

A possível erupção também expõe diferenças no estilo eruptivo esperado para aquela porção do Pacífico, dominada por dorsais mesoceânicas e centros de expansão do assoalho marinho, que costumam gerar atividade menos explosiva do que as zonas de subducção. Carn lembrou que os centros de expansão estão associados a atividade menos explosiva, enquanto as erupções mais violentas geralmente ocorrem em arcos insulares com grandes estratovulcões.

Enquanto cientistas aguardam o desenrolar do fenômeno, a cooperação internacional amplia o leque de instrumentos disponíveis. A NASA pretende utilizar dados do radar da missão NISAR, parceria com a agência espacial indiana, e da constelação RADARSAT, do Canadá, para mapear qualquer porção de terra que aflore e acompanhar mudanças morfológicas ao longo do tempo.

O histórico da região mostra como erupções submarinas podem durar dias ou anos, a exemplo do evento iniciado em 1957 no Estreito de St. Andrew, que se estendeu por quase quatro anos. Essa imprevisibilidade impede previsões categóricas, mas reforça a necessidade de vigilância constante em um ambiente onde o magma interage de forma imprevisível com a água do mar e com as estruturas que se formam abaixo da superfície.

A complexidade do fenômeno foi detalhada pelo portal CPG Click Oil and Gas, que consolidou análises de especialistas e projeções científicas para o evento esperado. A expectativa é de que, se o vulcão conseguir erguer um cone de tufo com uma cratera ativa, o planeta poderá testemunhar pela primeira vez em anos o nascimento de um novo território insular em tempo real.

Pescadores da região, embora ainda não tenham presenciado a erupção, receberam orientações para evitar a área caso a atividade se intensifique, devido ao risco de pedra-pomes obstruir sistemas de refrigeração de embarcações. A combinação de tecnologia espacial e olhar humano, portanto, prepara-se para um espetáculo geológico de proporções imprevisíveis, que pode reescrever as cartas náuticas de uma das últimas fronteiras não mapeadas da Terra.


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