O mega data center Project Jupiter, localizado em Santa Teresa, Novo México, é construído pela BorderPlex Digital Assets para hospedar infraestrutura de inteligência artificial da OpenAI, atendendo demanda da Oracle. Após pressão da comunidade local, os desenvolvedores anunciaram a substituição de turbinas a gás e geradores a diesel por células de combustível movidas a metano.
A mudança não resolve o problema climático. As células de combustível emitirão 10,1 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, contra 14 milhões do plano original. As emissões superam a soma de Albuquerque, Las Cruces e Santa Fe, as três maiores cidades do estado.
O consumo de água foi reduzido de 3,8 milhões para 76 mil litros diários, mas a região enfrenta escassez hídrica severa. Os proponentes não detalharam como alcançariam essa economia.
Colin Cox, advogado sênior do Centro para a Diversidade Biológica, classificou o projeto como desastre climático. Ele criticou a falta de transparência dos desenvolvedores, que só revelaram a magnitude do impacto após investigação de documentos de licenciamento ambiental.
Kacey Hovden, advogada do Centro de Direito Ambiental do Novo México, destacou que a região já descumpre padrões federais de qualidade do ar. Ela afirmou que a troca para células de combustível gera riscos adicionais, como o descarte de resíduos perigosos, configurando maquiagem verde.
Mariel Nanasi, diretora-executiva da New Energy Economy, lembrou que o Novo México possui recursos abundantes de energia solar e eólica, os mais baratos do mercado. Ela defendeu que o estado exija 100% de renováveis mais armazenamento para esses empreendimentos, rejeitando chantagem do setor de tecnologia.
Uma brecha legislativa estadual isenta microrredes privadas das exigências de renováveis previstas na Lei de Transição Energética. Colin Cox questionou se os legisladores sabiam que essas microrredes teriam capacidade superior à rede elétrica pública do estado, podendo abastecer duas vezes todas as residências.
Os comissários do condado de Doña Ana aprovaram um título de receita industrial de 165 milhões de dólares para financiar o empreendimento. Inicialmente, os responsáveis divulgaram que a usina geraria 1 gigawatt, mas documentos revelaram planos de expansão para 2,8 gigawatts.
A governadora Michelle Lujan Grisham celebrou o projeto como motor de desenvolvimento econômico. Comunidades locais, porém, veem as promessas de prosperidade com ceticismo, temendo injustiça ambiental.
Larry Ellison, dono da Oracle, tem laços políticos e financeiros que explicam o lobby da inteligência artificial. Seu filho, David Ellison, CEO da Paramount, articulou a aquisição da Warner Bros., com suposto apoio obtido por doações milionárias à campanha do presidente dos EUA.
O apetite dos centros de dados por eletricidade contrasta com o discurso de políticos que antes alegavam que renováveis arruinariam comunidades rurais. Quando o tema são lucros da IA, resistências locais são atropeladas e o discurso federalista desaparece.
A adoção de células de combustível representa melhora marginal, mas perpetua dependência do metano. A comunidade de Santa Teresa segue denunciando o projeto como colonialismo digital corporativo.
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