Pesquisadores da Universidade de Cincinnati e da Johns Hopkins Medicine desenvolveram um implante de nanofibras que libera três medicamentos simultaneamente. O avanço dobrou a sobrevida de camundongos com glioblastoma, o tipo mais agressivo de câncer cerebral em adultos.
O estudo, publicado no periódico ACS Biomaterials Science & Engineering, utilizou uma combinação sinérgica de drogas já aprovadas. Daewoo Han, professor assistente da Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas de Cincinnati, destacou que a combinação de temozolomida, acriflavina e PT2385 apresentou efeitos sinérgicos em modelos de glioblastoma.
O sistema de nanofibras permite a entrega localizada e prolongada dos medicamentos diretamente no local do tumor após a cirurgia. A tecnologia foi desenvolvida no NanoLab da Universidade de Cincinnati, liderado pelo professor Andrew Steckl, utilizando membranas de fibras eletrofiadas.
O glioblastoma é conhecido por sua heterogeneidade celular, o que facilita mutações que escapam dos tratamentos convencionais. A barreira hematoencefálica também limita a eficácia de quimioterapias tradicionais, tornando o tumor difícil de controlar.
Betty Tyler, professora de neurocirurgia da Johns Hopkins, afirmou que os pesquisadores buscam atacar a doença de forma multidimensional. Ela ressaltou que as opções atuais aumentaram a sobrevida dos pacientes, mas ainda há necessidade de melhorias significativas.
Nos testes com animais, todos os camundongos não tratados morreram em até 19 dias. A maioria dos tratados com o implante de três camadas sobreviveu pelo menos o dobro desse período.
Cerca de 40% dos animais sobreviveram além dos 120 dias de duração do experimento, estabilizando-se por mais de 80 dias adicionais. Han explicou que a geometria do implante e o controle preciso da dosagem contribuem para a eficácia do sistema.
A equipe agora trabalha na otimização da liberação de longo prazo utilizando estruturas avançadas de nanofibras. Os pesquisadores acreditam que a plataforma tem potencial para outras doenças de difícil tratamento.
Segundo Han, o objetivo final é avançar para um sistema clinicamente aplicável que melhore tanto a sobrevida quanto a qualidade de vida dos pacientes. Conforme reportagem do Phys.org, o estudo representa um passo importante no combate ao glioblastoma.
? Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!