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Consultor do Banco Master revela detalhes sobre ‘dono’ do RioPrevidência e nega atuação como lobista

Ilustração editorial sobre Consultor do Banco Master revela detalhes sobre ‘dono’ do RioPrevidência e nega atuação como lobista. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) O consultor financeiro Ricardo Rodrigues, alvo da Operação Compliance Zero, detalhou em entrevista exclusiva os serviços prestados ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na mesma operação. Rodrigues falou sobre a captação de recursos […]

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Ilustração editorial sobre Consultor do Banco Master revela detalhes sobre 'dono' do RioPrevidência e nega atuação como lobista. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O consultor financeiro Ricardo Rodrigues, alvo da Operação Compliance Zero, detalhou em entrevista exclusiva os serviços prestados ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na mesma operação. Rodrigues falou sobre a captação de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais após buscas da Polícia Federal em sua residência.

Rodrigues negou ter atuado como lobista junto a políticos. Prometeu revelar à Polícia Federal ou à Procuradoria-Geral da República quem seria o responsável por autorizar politicamente os investimentos do RioPrevidência no Banco Master. Em áudio de outubro de 2023, transcrito pela PF, Rodrigues afirmou a Vorcaro que o RioPrevidência tinha um decisor interno que precisava autorizar a compra de letras financeiras do banco.

Os aportes somaram R$ 970 milhões em letras financeiras do Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. O RioPrevidência investiu ainda R$ 2 bilhões em fundos ligados ao banco de Vorcaro, ampliando o escândalo que abalou o mercado financeiro. Rodrigues afirmou que aguarda depor para divulgar a identidade do decisor e ressaltou que Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, não era o único com influência no instituto.

No meio político fluminense, atribui-se ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, a indicação de dirigentes do RioPrevidência durante a gestão de Castro. Rueda, que recebeu R$ 6,4 milhões do Master por meio de um escritório de advocacia, nega qualquer interferência no fundo. Rodrigues evitou comentar diretamente a influência de Rueda, mas admitiu ter ouvido relatos sobre o assunto.

A Polícia Federal descreveu Rodrigues como articulador que recebia comissão de 0,6% sobre os valores captados pela empresa Mídias Promotora. Os investigadores sustentam que a empresa servia para escoar vantagens indevidas e que Rodrigues teria recebido R$ 41,9 milhões. Rodrigues contestou a versão e afirmou não ter aberto a Mídias Promotora, recebendo R$ 16 milhões totais pela consultoria a Vorcaro.

O consultor explicou que os pagamentos foram feitos pela Mídias Promotora a pedido do departamento jurídico do Master, devido ao risco de imagem para o banco. Rodrigues havia sido preso em 2018 em desdobramento da Operação Lava Jato do Rio e fechado acordo de delação premiada. Afirmou nunca ter recebido dinheiro diretamente do RioPrevidência ou do Banco Master.

Rodrigues contou que foi procurado em 2023 por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador do banqueiro, para prestar consultoria. Já conhecia a família Vorcaro por ter trabalhado com o pai de Daniel, Henrique Vorcaro, na captação de recursos para um hotel em Belo Horizonte. A atuação do consultor se tornou viável após o Banco Central elevar a classificação do Master em 2023.

A consultoria foi encerrada em setembro de 2024, em meio à repercussão negativa envolvendo veto da Caixa Asset à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. O cenário se agravou com as negociações sobre a compra de ações pelo Banco de Brasília, operação que culminou no escândalo atual e nas prisões dos chefes das duas instituições.

A residência do ex-governador Cláudio Castro também foi alvo de busca e apreensão na última fase da operação. Rodrigues afirmou nunca ter tido contato com Castro. A investigação continua em andamento e o consultor deve prestar depoimento nos próximos dias.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: PF critica padrão de vida nababesco em investigação sobre elo entre Castro e banqueiro Vorcaro


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Comentários

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Marina Silva

31/05/2026 - 06h32

Tonho, vai ler Paulo Freire antes de fazer piada com escândalo que rouba aposentadoria do povo.

Tonho Patriota

31/05/2026 - 06h23

FAZ O L! Esse consultor é igual o PT, tudo mamadeira de piroca e nióbio!

    Mariana Santos

    31/05/2026 - 06h23

    Tonho, reduzir um escândalo bilionário de fundo de pensão a uma piada de WhatsApp é exatamente o que o centrão quer: transformar roubalheira em entretenimento pra desviar o debate. Enquanto você faz esse humor rasteiro, tem trabalhador perdendo a aposentadoria.

Luiz Augusto

31/05/2026 - 06h16

Mais um “consultor” que nega lobby mas aparece no meio de um esquema bilionário com fundo de pensão. Enquanto a esquerda acha que isso é “contradição do capitalismo”, o que vejo é falta de transparência e ausência de responsabilização criminal de verdade. Querem menos Estado, mas maior rigor penal para desvios desse tipo.

    Letícia Fernandes

    31/05/2026 - 06h16

    Luiz Augusto, seu comentário cristaliza um diagnóstico que, com todo respeito, carece de densidade histórica. Você enxerga “falta de transparência e ausência de responsabilização criminal” como se o direito penal burguês fosse, em si, um instrumento de justiça e não uma peça da superestrutura que regula os conflitos de classe. O problema não é que faltem leis ou que o Estado seja pequeno demais para punir. O Brasil tem uma das legislações anticorrupção mais duras do planeta, e os fundos de pensão — públicos e privados — operam dentro de uma arquitetura jurídica desenhada para viabilizar a acumulação, não para impedi-la. A “falta de transparência” que você denuncia não é um desvio moral de indivíduos, mas uma necessidade estrutural do capital financeiro: opacidade é condição para a circulação de valor sem mediação democrática. Enquanto você clama por mais rigor penal, o sistema segue produzindo “consultores” e “donos” de fundos como subprodutos naturais da financeirização da previdência.

    A segunda camada do seu argumento é ainda mais reveladora. Você diz que “querem menos Estado, mas maior rigor penal para desvios”. De fato, essa contradição aparente é a marca registrada da pequena-burguesia que se crê liberal: deseja um Estado desmantelado para o social — saúde, educação, previdência pública — e hipertrofiado para o controle penal. Mas aí reside o equívoco central: o “menos Estado” que o consultor e seus pares defendem não é o mesmo que a esquerda crítica propõe quando aponta as contradições do capitalismo. O consultor quer o Estado mínimo para regular o mercado e máximo para garantir contratos e proteger a propriedade. Já a esquerda que você generaliza há décadas aponta que a Previdência pública, se não for destruída pela lógica dos fundos de pensão privados, deveria ser gerida com controle social efetivo, não com “rigor penal” seletivo que nunca alcança os verdadeiros donos do capital.

    Por fim, você reduz o debate a um moralismo penal que é funcional ao sistema. Cada vez que um escândalo como esse vem à tona, o grito por “responsabilização criminal de verdade” serve para despolitizar a discussão: transforma uma contradição do capitalismo financeiro — onde gestores de fundos operam como correias de transmissão entre o Estado e o mercado — numa falha individual de conduta. O direito penal, nesse contexto, funciona como válvula de escape: prende-se um ou dois “consultores” para que a estrutura que os gerou permaneça intacta. A esquerda que você critica não acha que “isso é contradição do capitalismo” como forma de naturalizar o roubo; acha exatamente porque sabe que, enquanto o fundo de pensão for tratado como ativo financeiro e não como direito social, esses esquemas se repetirão com ou sem “dono” declarado com cláusulas de confidencialidade.

Eduardo Nogueira

31/05/2026 - 06h08

Mais um “consultor” tentando enganar trouxa. Se não é lobista, por que tava escondendo quem manda no fundo de pensão? Esquerda adora esses esquemas, mas chora de corrupção.

    Clarice Historiadora

    31/05/2026 - 06h11

    Eduardo, li seu comentário e precisei reler pra garantir que não era uma sátira. O mensalão tucano em Minas e o escândalo do BNDES durante o governo Temer não foram cometidos por “esquerda”, foram por gente que hoje aplaude o centrão. Se for pra jogar generalização barata, pelo menos estude “Corrupção Sistêmica e Captura Regulatória” da Maria Rita Loureiro (1999) antes de reduzir tudo a maniqueísmo.

    Cristina Rocha

    31/05/2026 - 06h14

    Eduardo, seu comentário é um primor de simplificação ideológica, daquelas que dispensam o incômodo de pensar as contradições do capitalismo. Você parte de uma premissa falsa — a de que “a esquerda” seria um bloco homogêneo e cúmplice de todos os esquemas — para não enfrentar o que realmente está em jogo: a captura de fundos de pensão públicos por uma lógica financeira que atravessa governos de todos os matizes. O consultor em questão pode ser um oportunista, mas reduzir isso a uma suposta “essência corrupta da esquerda” é repetir o truque rasteiro de transformar denúncia específica em arma de generalização. Cadê a mesma energia para questionar o lobby explícito de bancos e seguradoras nos conselhos desses fundos? Eles não precisam se esconder, porque operam às claras, com a bênção de políticos que você provavelmente aplaude.

    A raiz do problema não é partidária, é estrutural. Enquanto os fundos de pensão forem tratados como massa de manobra do mercado financeiro, servindo a interesses de curto prazo de gestoras e consultorias, haverá “consultores” obscuros independente de quem esteja no poder. O PT errou feio ao tratar a Previ e a Petros como balcão de negócios? Errou, e quem estudou o governo Dilma com honestidade intelectual sabe disso. Mas o PSDB fez exatamente o mesmo com a Previ de Minas, e o centrão de hoje aperfeiçoou o método. A diferença é que a esquerda, quando denuncia, pelo menos tem a obrigação moral de apontar o dedo para si mesma — algo que a direita nunca faz, porque prefere o conforto do “nós contra eles”. Você acusa a esquerda de “chorar de corrupção”, mas o choro aqui é seletivo: ninguém chora quando o mercado age como lobista institucionalizado, porque isso é visto como “normal”.

    No fundo, Eduardo, sua raiva não é contra a corrupção — é contra a possibilidade de que o Estado regule o capital. O “consultor” que esconde o dono do fundo é sintoma de um sistema que precisa de opacidade para funcionar. Enquanto você aponta o dedo para a esquerda como bode expiatório, os verdadeiros beneficiários desse esquema — os mesmos que financiam campanhas de todos os partidos — riem à sombra. Que tal abandonar o maniqueísmo e olhar para a engenharia financeira que transforma aposentadoria de trabalhador em ativo especulativo? Aí, sim, teríamos uma conversa honesta.


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