Aproximadamente um em cada cinco norte-americanos afirma já ter visto um fantasma. A psicóloga Melissa Maffeo, professora da Wake Forest University, não está entre eles e explica por que o cérebro pode criar essas experiências.
Em seu livro Science of the Supernatural, a pesquisadora analisa como o cérebro humano interpreta mal o mundo exterior, gerando sensações paranormais. Segundo reportagem do Live Science, três fatores principais podem enganar a mente e produzir a percepção de presenças sobrenaturais.
O primeiro fator são os estímulos ambientais, como os campos eletromagnéticos. Detectores de EMF costumam registrar maior atividade em locais considerados assombrados, como as catacumbas de Edimburgo e o Palácio de Hampton Court, na Inglaterra.
Estudos em laboratório não estabeleceram relação direta entre variações de EMF e percepções paranormais. No entanto, pessoas que já acreditavam no sobrenatural relataram mais sensações estranhas durante os experimentos.
O segundo fator envolve confusões neurológicas, especialmente na junção temporoparietal do cérebro. Essa região é responsável pela sensação de incorporação ao próprio corpo e, quando estimulada eletricamente, pode gerar ilusões de figuras sombrias ou experiências extracorpóreas.
A paralisia do sono também contribui para essas percepções. Ocorre ao despertar durante o sono REM, quando o cérebro bloqueia movimentos, mas a consciência retorna, criando uma desconexão entre sinais corporais e percepção. Esse estado frequentemente provoca alucinações vívidas e medo intenso.
O terceiro fator são traços de personalidade, como a esquizotipia. Características como pensamento mágico, percepções incomuns e dificuldade em distinguir o eu do outro estão associadas a maior crença no paranormal e sensações de desincorporação.
Para Maffeo, a crença prévia no sobrenatural une esses três fatores. Um experimento em um teatro abandonado em Illinois mostrou que apenas participantes avisados sobre a suposta assombração relataram sensações estranhas.
Fatores ambientais, neurológicos e de personalidade podem convergir para criar a impressão de uma presença fantasmagórica. A psicóloga conclui que, sem esses elementos, céticos como ela provavelmente nunca vivenciarão tais experiências.
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