Astrônomos divulgaram o catálogo GWTC-5, que reúne 161 sinais inéditos de ondas gravitacionais originadas de fusões de buracos negros. O acervo eleva para 390 o total de detecções realizadas pelos observatórios LIGO, Virgo e KAGRA entre abril de 2024 e janeiro de 2025.
Daniel Williams, pesquisador do Instituto de Pesquisa Gravitacional, comparou o feito à descoberta de uma civilização perdida. Ele afirmou que agora é possível compreender não apenas colisões individuais, mas a estrutura de um mundo cósmico até então oculto.
As ondas gravitacionais, previstas por Albert Einstein em 1915, são ondulações no tecido do espaço-tempo. Elas são geradas pelos eventos mais violentos do universo e só começaram a ser detectadas diretamente em 2015.
A rede de detectores LIGO, Virgo e KAGRA operou de forma coordenada para registrar sinais com frequência semanal. A sensibilidade aprimorada permitiu identificar fusões de segunda geração, onde buracos negros já nasceram de colisões anteriores.
Dois eventos se destacam: GW241011, a 700 milhões de anos-luz, e GW241110, a 2,4 bilhões de anos-luz. A rotação rápida dos objetos indicou que os buracos negros maiores não se formaram diretamente de estrelas, mas de fusões precedentes.
Storm Colloms, do mesmo instituto, explicou que as assinaturas desses buracos negros persistem na população. Ele acrescentou que há evidências crescentes de que o universo produz buracos negros prontos para se fundir por caminhos alternativos.
O sinal GW240615 foi a fusão mais precisamente localizada até hoje. Originada a mais de 3 bilhões de anos-luz, a colisão entre buracos negros de 26 e 30 massas solares foi circunscrita a uma pequena região do céu.
Alex Papadopoulos destacou que essa precisão ajuda a medir a taxa de expansão do universo. Cada evento contribui com informações que, juntas, melhoram significativamente os resultados científicos.
O catálogo também incluiu o sinal mais nítido já obtido, GW250114, detectado a cerca de 1 bilhão de anos-luz. A colisão envolveu buracos negros de 34 e 32 massas solares e permitiu o teste mais rigoroso da relatividade geral.
John Veitch, da Universidade de Glasgow, explicou que a área total dos horizontes de eventos aumentou após a fusão. Isso confirmou o teorema da área formulado por Stephen Hawking, demonstrando que as leis da termodinâmica se aplicam a buracos negros.
Os detectores devem iniciar uma nova fase de observação ainda em 2026. A expectativa é que os instrumentos revelem mais detalhes sobre os eventos mais violentos do cosmos.
A enxurrada de sinais gravitacionais inaugura uma nova era na astrofísica. Fusões de buracos negros deixam de ser eventos raros e passam a compor uma população que revela a arquitetura profunda do universo.
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