O preço das carnes e peixes industrializados caiu 0,19% em abril, conforme dados do IBGE. A retração rompe uma sequência de pressão sobre o consumidor e aparece num momento em que o setor de proteínas enfrenta turbulências no comércio exterior.
No mês anterior, março de 2026, o índice havia registrado alta de 0,08%. A virada para o campo negativo representa um alívio marginal no orçamento das famílias, sobretudo para quem substituiu a carne bovina in natura por embutidos e processados nos últimos meses.
A comparação com abril do ano passado escancara a mudança de cenário. Em 2025, o mesmo grupo de produtos subia 0,45% no mês. Agora, a variação é negativa, sugerindo que a demanda interna perdeu força ou que os estoques da indústria cresceram mais rápido que o consumo.
O acumulado de 12 meses também desacelerou com força. O índice atual é de 0,49%, bem abaixo dos 1,14% registrados até março. Em abril de 2025, o acumulado em 12 meses estava em 5,08% — patamar dez vezes superior ao atual. A trajetória de desinflação é visível e consistente.
Ainda assim, o horizonte adiante tem nuvens carregadas. A União Europeia decidiu suspender as compras de carne bovina brasileira a partir de setembro, e a cota de exportação para a China se aproxima do limite, segundo reportagem do UOL. O duplo bloqueio pode represar oferta no mercado interno, o que historicamente tende a pressionar os preços para cima.
O risco é que a folga atual se revele temporária. Se o excedente exportável inundar o mercado doméstico e, ao mesmo tempo, os custos de produção seguirem elevados, o consumidor pode sentir o solavanco no segundo semestre. Por ora, o vento sopra a favor de quem vai ao açougue. Mas a calmaria depende de acordos comerciais que ainda não saíram do papel.
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